UNITA - ANGOLA
Fonte :
UNITAANGOLA
Discurso de abertura da II Reunião Ordinária da Comissão Política da UNITA
(Malange ‚Äď 21Nov2020)

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Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente,
Caros Senhores Secret√°rio-Geral e Secret√°rio-Geral Adjunto
Digna Secretária Da Comissão Política
Digníssimo Senhor Secretário Provincial de Malanje
Membros da Direcção do Partido,
Digníssimos Membros da Comissão Política da UNITA
Prezados Membros, simpatizantes e amigos da nossa UNITA
Caros Jornalistas,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Depois de termos realizado as Reuni√Ķes da Comiss√£o Pol√≠tica, primeiro em Luanda, depois no Huambo (com a participa√ß√£o dos membros residentes nas prov√≠ncias do Huambo, Bi√©, Kuando Kubango, Benguela, Kwanza Sul, Namibe, Cunene e Huila, respectivamente), damos hoje in√≠cio √† 3¬™ e √ļltima fase, reunindo na capital das terras da Palanca Negra (com a participa√ß√£o dos membros da Comiss√£o Pol√≠tica residentes nas provinciais de Malange, Lunda Sul, Lunda Norte, Moxico, Kwanza Norte, Bengo, U√≠ge, Zaire e Cabinda). Este desdobramento √© consequ√™ncia do respeito pelas medidas sanit√°rias decorrentes do combate √† pandemia da Covid-19.
√Č com imensa satisfa√ß√£o que sa√ļdo calorosamente os companheiros membros da Comiss√£o Pol√≠tica provenientes dos diferentes munic√≠pios de Malanje, e das prov√≠ncias acima citadas. Espero que tenham tido a oportunidade de algum descanso, especialmente os companheiros do Moxico, Lunda Norte e Lunda Sul, cuja via est√° muito degradada.

√Č imperioso que o pa√≠s esteja dotado de uma rede de estradas e n√£o s√≥, que facilite o movimento das popula√ß√Ķes e das mercadorias. O nosso pa√≠s deve tirar li√ß√Ķes dos erros cometidos no passado, para n√£o ter de os repetir. Devemos proporcionar a cada cidad√£o o acesso igual aos servi√ßos, aos bens de consumo, com os mesmos pre√ßos, partilhando inclus√£o e cidadania. Este √© o pensamento da UNITA e por isso para n√≥s a reafirma√ß√£o da inquestion√°vel validade dos pressupostos de um Estado Democr√°tico e de Direito, √ļnica via para a consolida√ß√£o de uma Angola moderna e desenvolvida. Por isso a nossa clara reafirma√ß√£o da necessidade da realiza√ß√£o das autarquias locais em 2021, em simult√Ęneo e em todos os munic√≠pios. √Č uma trai√ß√£o √† Angola e aos angolanos, retardar as autarquias locais ou fazer a defesa do gradualismo. Adiar as autarquias e realizar elei√ß√Ķes apenas em alguns munic√≠pios √© promover o crescimento das assimetrias regionais e o aumento da pobreza. Com o gradualismo n√≥s estaremos a promover uma Angola de desigualdades, uma Angola de primeira, outra de segunda, de terceira, etc... e compete-nos dizer N√āO a essa cobardia, a essa falta de amor ao povo!

As circunst√Ęncias ditaram que a II Reuni√£o Ordin√°ria da Comiss√£o Pol√≠tica da UNITA conhecesse o seu ep√≠logo em terras de Malanje, correspondentes ao antigo Reino da Matamba e dos soberanos Kambolo Matamba, Mulundo Kambolo e Njinga Mbandi. Por essa raz√£o, esperamos, ardentemente que as her√≥icas tradi√ß√Ķes de Malanje que se reflectiram nas destemidas revoltas ocorridas nas planta√ß√Ķes de algod√£o na Baixa de Cassanje, as belas paisagens, as Majestosas Pedras Negras de Pungu Andongo e as quedas de Calandula, nos inspirem nos trabalhos que vamos realizar aqui em prol de uma Angola igual para todos os angolanos.

Os √ļltimos tempos t√™m retirado da nossa conviv√™ncia in√ļmeros entes queridos, tendo por um lado a pandemia do covid e por outro a agravar das endemias tradicionais. Aqui perdemos um ilustre Pastor, Dom Benedito Roberto e uma incans√°vel companheira, Catarina Caetano e Sousa. Neste preciso momento no Huambo um nosso companheiro despede-se da sua grat√≠ssima esposa. Pe√ßo um minuto de sil√™ncio em mem√≥ria de todas estas perdas que tocam tantas fam√≠lias do nosso pa√≠s.
Muito obrigado.

Prezados companheiros, Minhas Senhores e Meus Senhores!
A falta de resposta aos anseios dos angolanos, especialmente dos jovens a quem foram prometidos empregos, habita√ß√£o, autarquias locais, uma Calif√≥rnia entre n√≥s, melhor ensino e tudo mais, tem gerado in√ļmeras reivindica√ß√Ķes. N√£o compreendendo as expectativas dos jovens e pela sua cultura contr√°ria ao di√°logo, o Executivo do Presidente Jo√£o Louren√ßo tem reprimido tais reivindica√ß√Ķes, com recurso √† for√ßa e √† viol√™ncia. As mais recentes dessas ac√ß√Ķes ocorreram nos dias 24 de Outubro e 11 de Novembro em Luanda e em outras prov√≠ncias do nosso pa√≠s.

O nosso pa√≠s tornou-se objecto de not√≠cias nos m√©dias internacionais, n√£o √© s√≥ pelos esc√Ęndalos de corrup√ß√£o mas √© sobretudo agora, pela repress√£o e mortes de jovens manifestantes nas ruas de Luanda. Essas situa√ß√Ķes que colocam Angola entre os pa√≠ses que n√£o respeitam e n√£o toleram o exerc√≠cio dos direitos e das liberdades fundamentais dos cidad√£os, acontecem porque o governo do Presidente Jo√£o Louren√ßo entendeu empunhar armas contra o povo que reclama nas ruas a falta de emprego, contra o elevado custo de vida e pela concretiza√ß√£o das autarquias locais no pa√≠s.
A pol√≠cia nacional deve dialogar honestamente com os manifestantes e abandonar o uso da for√ßa. √Č o que se pode esperar de uma pol√≠cia republicana.
Com esse tipo de actos querem as autoridades induzir o medo nos jovens para os desencorajar a reivindicar os seus direitos consagrados na Constitui√ß√£o da Rep√ļblica de Angola.

O regime est√° nervoso e desesperado por falta de op√ß√Ķes cred√≠veis. Age com brutalidade, para se defender da sua incompet√™ncia e incapacidade de resolver os problemas reais. Precisamos de estar vigilantes para n√£o cairmos nas suas armadilhas.

Estas reivindica√ß√Ķes s√£o motivo suficiente para o uso da viol√™ncia policial que temos assistido? N√£o! N√≥s achamos que o Presidente Jo√£o Louren√ßo tem aqui uma oportunidade sem igual para ajudar a realizar o sonho de milhares de angolanos de ter um primeiro emprego. Para baixar o custo dos produtos da cesta b√°sica e definir um calend√°rio para as autarquias que engaje todas as for√ßas vivas da sociedade angolana. √Č isso que os angolanos esperam dele e do seu governo: um governo que saiba dialogar, que esteja ao servi√ßo do seu povo, um governo que esteja ao servi√ßo das suas comunidades. Constactamos uma total instrumentalidade dirigida aos m√ļltiplos actores da nossa sociedade e o emergir cada dia, de uma linguagem e postura arrogantes de alguns dirigentes.

A √ļltima interven√ß√£o do Excelent√≠ssimo Ministro do Interior foi muito infeliz e nenhum cidad√£o respons√°vel e consciente pode aceitar a afirma√ß√£o do sr Ministro, de que as manifesta√ß√Ķes ‚Äút√™m como escopo a subvers√£o da ordem estatu√≠da e a destitui√ß√£o das institui√ß√Ķes legitimamente eleitas‚ÄĚ! Este governante deve ser chamado a apresentar provas destas graves afirma√ß√Ķes e caso n√£o as possua, o titular do Poder Executivo deve responsabiliz√°-lo. Os membros do governo n√£o devem, nem podem andar a vender desconfian√ßas, amea√ßas e chantagens √† sociedade. T√™m a obriga√ß√£o de ter uma genu√≠na cultura democr√°tica. O governante deve ser o exemplo de toler√Ęncia, de respeito √†s leis e de n√£o as manipular em sua conveni√™ncia. T√™m a obriga√ß√£o de n√£o andarem a vender fantasmas, nem discursos amea√ßadores e musculados, que mal escondem a sua imprepara√ß√£o para viverem em tempos assentes na pluralidade das ideias e das opini√Ķes.

√Č decepcionante ver o partido que governa h√° 45 anos, mostrar‚Äďse impreparado para conviver numa sociedade plural e mostrar-se cada dia incapaz de garantir isen√ß√£o e transpar√™ncia na administra√ß√£o do interesse p√ļblico. Quanto mais nos aproximamos dos per√≠odos eleitorais, mais o partido de regime e o seu governo nos mostram que para eles governar √© um exerc√≠cio intemporal! Este √© o resultado das longas perman√™ncias no poder, perdendo sensibilidades e acumulando v√≠cios.

N√£o h√° democracia sem altern√Ęncia. √Č interesse de todos lutarmos contra o pa√≠s partid√°rio que continuamos a ter hoje. Esse governo partid√°rio defende os interesses de uma pequena elite, apostada em recusar o genu√≠no sonho de liberdade e de desenvolvimento da maioria dos angolanos.

Prezados Membros da Comissão Política,
Compatriotas

O ano de 2020 prestes a terminar trouxe-nos indicadores de falta de compromisso com o país e com o povo por parte dos governantes angolanos. As autarquias que estavam previstas para este ano, foram transferidas para data incerta. O país caminho no escuro, sem conhecer horizonte algum para os seus desafios institucionais.
Em Janeiro de 2020 n√≥s propusemos uma calend√°rio de compromisso, perfeitamente realiz√°vel: uma data para a aprova√ß√£o da Lei de Institucionaliza√ß√£o das autarquias Locais; um novo registo eleitoral, um compromisso para com a transpar√™ncia, pois s√≥ de 2012 para 2017, desapareceram do ficheiro dos cidad√£os adultos mais de 2,5 milh√Ķes de eleitores! Factos de Angola!

E hoje o regime indica-nos que n√£o tem qualquer compromisso com a √©tica e a transpar√™ncia, acumulando-se os indicadores de uma gest√£o das institui√ß√Ķes a seu bel prazer: nega-se a legaliza√ß√£o de partidos com todas as condi√ß√Ķes criadas; coloca-se na CNE figuras sem perfil para a miss√£o; perde-se a vergonha e anuncia-se a constru√ß√£o do edif√≠cio para as autarquias que levar√° 18 meses a concluir, com o intuito de satisfazer agenda partid√°ria; entrega-se ao CNJ casas para corromperem os jovens (s√£o in√ļmeras as den√ļncias destes actos de corrup√ß√£o, perante o sil√™ncio das institui√ß√Ķes; agora estamos a ouvir falar da legaliza√ß√£o de partidos, criados artificialmente para combater a UNITA; a maioria na Assembleia Nacional aprova a entrega de Bilhetes de Identidade em troca dos cart√Ķes de eleitor, sabendo todos que muitos destes cart√Ķes foram entregues a cidad√£os estrangeiros em troca do voto, colocando em perigo a seguran√ßa nacional! As campanhas de intoxica√ß√£o, na sanha de procurar vantagens a qualquer custo, atingem at√© ilustres membros das for√ßas armadas, sobre quem √© lan√ßada a suspei√ß√£o e a intriga, em nome dos mesmos interesses de uma minoria habituada a dividir para reinar! O pa√≠s atravessa uma grave crise institucional e de valores, sem precedentes.

As reservas morais deste país devem ser chamadas a intervir!

N√£o nos surpreendemos quando ouvirmos o executivo atribuir √† Covid-19, a m√° qualidade de educa√ß√£o, as condi√ß√Ķes prec√°rias dos servi√ßos de sa√ļde, as estradas esburacadas, a corrup√ß√£o end√©mica, a falta de patriotismo dos dirigentes, a distribui√ß√£o desigual de √°gua e de energia electrica √†s popula√ß√Ķes, a falta de incentivos e apoio aos agricultores. Todas estas culpas agora s√£o repartidas entre a Covid, a UNITA e o seu Presidente!

Caros membros da Comissão Política,
Milhas senhoras e meus senhores

Com o final desta reuni√£o, teremos os programas internos actualizados e devemos virar as nossas aten√ß√Ķes ao trabalho junto do cidad√£o e junto das comunidades.
O nosso pa√≠s possui todas as condi√ß√Ķes para ultrapassar a crise que nos atinge. A nossa solu√ß√£o n√£o vem do petr√≥leo. O GIP, governo inclusivo e participativo, tem programas atualizados para abra√ßarmos estabilidade e desenvolvimento no nosso pa√≠s.

Temo-lo dito e vamos repeti-lo. A riqueza que construiu as grandes cidades vinha do campo. Do caf√©, do Uige, Kwanza Norte, Bi√©, Kwanza Sul e do Zaire. N√£o era do petr√≥leo. A riqueza que fez Angola vinha do algod√£o que se produzia aqui em Malanje, vinha do sisal de Benguela. Vinha da pecu√°ria. Os nossos governantes nos distraem que pequenos programas que s√≥ servem para enriquecer uns poucos espertos. N√£o h√° incentivos aos produtores familiares de caf√© nessas regi√Ķes que mencionei. Os portugueses tinham constru√≠do vias para todos os s√≠tios onde havia fazendas de caf√©. E hoje o que vemos. Os pequenos agricultores que pelo esfor√ßo pr√≥prio produzem alguma coisa, queixam-se de falta de condi√ß√Ķes para escoamento dos produtos para os centros de consumo.

A Comissão Política deve tomar uma posição firme em relação à violação
dos direitos humanos nas Lundas. S√£o recorrentes as ocorr√™ncias de mortes de populares por empresas de seguran√ßa. A riqueza que Deus plantou em algumas regi√Ķes de Angola, n√£o deve ser fonte da desgra√ßa das popula√ß√Ķes locais.

Essa reuni√£o da Comiss√£o Pol√≠tica deve tomar uma posi√ß√£o vigorosa em rela√ß√£o √† explora√ß√£o desenfreada da madeira que se fez nas prov√≠ncias do Uige, Lundas e Moxico, entre outras, onde est√° a ocorrer um verdadeiro crime ambiental, sem observ√Ęncia de medidas que assegurem a preserva√ß√£o da natureza e da biodiversidade.

A UNITA mais uma vez é chamada ao trabalho e a saber transformar esperança em certeza, numa Angola democrática, respeitadora dos direitos humanos, desenvolvida e que devolva aos angolanos a dignidade que todos merecem.

Declaro aberta a II Reunião Ordinária da Comissão Política Polo Norte e Leste
Muito obrigado.

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