UNITA - ANGOLA
Fonte :
UNITA
Discurso de abertura da II Reuni√£o ordin√°ria da Comiss√£o Pol√≠tica da UNITA pelo Presidente Adalberto Costa J√ļnior
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(29/10/2020)Exmos Vice-Presidentes do Partido,Exmo Secret√°rio Geral e Sec. Geral Adjunto,Dignos Membros da Comiss√£o Pol√≠tica,Senhores Jornalistas √Č com grande satisfa√ß√£o que procedo √† abertura da II Reuni√£o Ordin√°ria da Comiss√£o Pol√≠tica, o mais importante √≥rg√£o deliberativo dA UNITA, que re√ļne anualmente no intervalo dos Congressos.

Trabalharemos nos próximos 2 dias, faremos uma análise minuciosa do nosso país e a actualização do programa anual do Partido.Esta Reunião tem lugar num período marcante da vida do nosso país, numa semana de grande agitação social e política, marcada pela manifestação do dia 24 de outubro.

Angola testemunhou a sa√≠da √† rua de organiza√ß√Ķes da sociedade, especialmente jovens empurrados pelo sofrimento e pela aus√™ncia de esperan√ßa, empurrados por mil promessas incumpridas, aos quais se juntaram cidad√£os de diversas proveni√™ncias.

Estamos a ouvir as mais altas inst√Ęncias do pa√≠s afirmarem que estes jovens n√£o t√™m pensamento pr√≥prio, n√£o lhes √© reconhecida a capacidade de terem ideais e de n√£o serem capazes de perseguirem causas pr√≥prias! Para quem governa este pa√≠s, a popula√ß√£o que sai √† rua e se manifesta, os jovens que t√™m a coragem de lutar por melhores condi√ß√Ķes de vida, ou de exigir um calend√°rio para a realiza√ß√£o das autarquias, s√≥ podem ter v√≠nculo √† UNITA!

√Č interessante atribu√≠rem √† UNITA a convic√ß√£o de lutar pelo que se acredita. √Č interessante reconhecer a defesa de causas √† UNITA. Mas √© preciso reconhecer que o angolano hoje est√° bem informado! Cresceu. Quem nos governa desconhece em absoluto as convic√ß√Ķes e as raz√Ķes da juventude, ou est√° convencido que pode manipular toda a gente! Aos angolanos, alertamos: n√£o se deixe manipular!

A juventude maturou, cresceu e todos nós devemos estar preparados para reconhecer-lhes capacidade de optar, de lutar, de perseguir causas em que acreditam, ou de protestarem porque vivem cansados de tanta desorientação governativa, cansados da extrema miséria em que a maioria vive.

Fiquei com a certeza ao ouvir o Presidente do Mpla que tem medo do povo, que vai demonstrando saber ler e posicionar-se em defesa do seu interesse. Porque será que decorridos todos estes anos de Paz, não se construíram as bases de uma Nação, Patria Mãe de todos nós?

Porque será que 18 anos depois da Paz ainda ouvimos o mais alto magistrado no papel de Presidente do seu Partido, dirigir um discurso de exclusão, de inimizade, um discurso não construtivo? Analisado ao pormenor aquele discurso indica também uma grande impreparação em lidar com uma oposição que lhe diga que as leis não são para serem geradas por conveniência e muito menos para limitar direitos constitucionalmente garantidos.

N√≥s temos insistentemente apelado ao di√°logo e a constru√ß√£o de bases s√≥lidas e seguras de uma Angola reconciliada, inclusiva e moderna. Ningu√©m tenha d√ļvidas que para se edificar essa grande obra, n√≥s teremos de abra√ßar as t√£o faladas reformas e a revis√£o da constitui√ß√£o. O Mpla construi-se leis inexistentes em democracias funcionais. Retiraram aos angolanos a condi√ß√£o de elegerem directamente o Presidente da Rep√ļblica; na CNE t√™m dom√≠nio absoluto da administra√ß√£o eleitoral, garantindo sempre os resultados de sua conveni√™ncia e n√≥s estamos a dizer que precisamos de abra√ßar a lei modelo eleitoral aprovada pelo SADC, de que fazemos parte! O Pr do Mpla n√£o gosta de ouvir dizer que est√° a fazer uso e abuso da comunica√ß√£oo social p√ļblica e daquela que por consequ√™ncia das anexa√ß√Ķes passaram a ser geridas por gestor p√ļblico nomeado. Hoje n√£o h√° qualquer respeito pela pluralidade , pelo contradit√≥rio, sendo que batemos no fundo da viola√ß√£o de tudo o que √© √©tico e deontol√≥gico na comunica√ß√£o, que se tornou uma completa instrumentalidade do regime. S√£o uma vergonha os conte√ļdos informativos das televis√Ķes, da RNA, pagos com o dinheiro de todos n√≥s, contribuintes.

O regime anulou as elei√ß√Ķes aut√°rquicas, ap√≥s in√ļmeras interven√ß√Ķes vinculativas dos seus m√ļltiplos titulares. E hoje ningu√©m conhece um horizonte temporal de compromisso. N√£o h√° um qualquer calend√°rio que indique aos angolanos para onde estamos a caminhar! Tudo est√° dependente dos interesses de uma pequena elite que mant√©m o pa√≠s ref√©m dos seus v√≠cios e dos interesses do seu partido.

E nós não temos qualquer duvida. Teremos de abraçar o diálogo e a concertação. Reparem, eu não disse diálogo e negociação, mas sim diálogo e concertação.

Eu sonho com um dia não muito distante, em que os homens se abraçem de forma genuína e abatam os muros partidários e olhem-se como angolanos; que se garanta a cada um, ser um cidadão igual , sem ameaças, sem ódios!

A pandemia da Covid-19 veio t√£o somente destapar as enormes fragilidades da governa√ß√£o. Governar √© Programar, programar √© planificar, planificar √© organizar e organizar √© prever; prever seria ter a percep√ß√£o que o petr√≥leo √© um recurso n√£o renov√°vel e apostar ou investir unicamente nesse recurso como fonte de receita para um Pa√≠s, mais a corrup√ß√£o que gangrenou as mentes dos governantes, haver√≠amos de chegar a este n√≠vel a que est√° relegada Angola, cuja solu√ß√£o √© estender a m√£o a mendicidade do FMI e aceitar todas as imposi√ß√Ķes que o FMI e demais doadores condicionam as tranches de seus empr√©stimos.

Decorridos 3 anos da actual legislatura, Angola ficou mais pobre porque a vida do angolano agravou-se cada vez mais em todos os sectores sociais.

A perspectiva da constru√ß√£o de uma Na√ß√£o assenta no seu capital humano e na forma como esse deve ser moldado para responder aos desafios, n√£o s√≥ do presente mas sobretudo os do futuro. Assim foram feitas as Na√ß√Ķes que hoje constituem refer√™ncia no mosaico mundial. Essas Na√ß√Ķes tiveram a sorte de ter a sua frente e em determinado momento da hist√≥ria, homens excepcionais que transformaram os recursos dispon√≠veis em factor de desenvolvimento. Tal desiderato, passou necessariamente pela forma√ß√£o dos homens e mulheres jovens, com programas escolares e conte√ļdos t√©cnico-cient√≠ficos capazes de responder as necessidades dos seus Pa√≠ses.

Um intelectual, deve ser sobretudo um homem livre, deve constituir massa cr√≠tica para ajudar e participar na governa√ß√£o do Pa√≠s e estar ao n√≠vel da classe intelectual mundial. Urge investir fortemente na educa√ß√£o criando solu√ß√Ķes vi√°veis para a recupera√ß√£o sustent√°vel e duradoura do pa√≠s. Promover ‚Äúbajus‚ÄĚ n√£o garante o futuro!

Os erros crassos e repetidos que o actual Executivo tem cometido desde o passado recente at√© hoje, seriam evitados se soubessem escutar outras franjas da sociedade fora do c√≠rculo partid√°rio por via de um debate profundo, aberto, aturado e aceitar opini√Ķes de uma importante camada da sociedade civil que tem elaborado estudos cient√≠ficos de extrema import√Ęncia, capazes de tirar Angola desse marasmo total em que nos encontramos, neste pa√≠s partid√°rio!

Angola e os angolanos têm assistido ao desfilar de programas como o PIIM, PAC, PRODESI, KWENDA, iguais aos tristemente célebres PAPE, PAPAGRO, PAPAROCAS, KIKUYA, etc.

Estes planos todos, t√™m sido simplesmente, mais uma janelinha para o rombo do nosso dinheiro‚ÄĚ e o ‚Äúfilme continua‚ÄĚ tal como a luta continua entre o antigo e o novo grupo dentro da mesma fam√≠lia pol√≠tica.

√Č devido a essas m√°s pol√≠ticas p√ļblicas, que os angolanos se manifestam por dias melhores.

Se realmente o Partido Estado concordar que o mais importante √© resolver os problemas do povo, as autarquias s√£o sim uma obrigatoriedade vital para a resolu√ß√£o dos problemas do povo. Continuar a planificar, a decidir, a orientar e fiscalizar tudo √† partir de Luanda, como Capital do poder centralizado mas que n√£o passa de uma outra Prov√≠ncia cujas realidades s√£o especificamente diferentes, √© alhear-se dos reais problemas do povo e todos os erros de an√°lises e ac√ß√Ķes, morrem solteiras por n√£o se poder responsabilizar ningu√©m pelo erros dos administradores locais por falta de uma administra√ß√£o local de jure, fruto do poder aut√°rquico.

Um governo patriótico, com vocação nacional, nunca olharia para a implementação das autarquias com antipatia, aliás, para um executivo sério, veria nelas um poder complementar que o ajudaria a resolver os muitos desafios do país.

Denuncio aqui o perverso agitar de fantasmas, para restringir as liberdades, para criarem medo √†s popula√ß√Ķes e restringirem a sua capacidade de optar. Angola a regredir! Digamos basta a esta desformata√ß√£o. Deixemos os tempos do trungungu, da sociedade policiada, que todos os dias vemos renascer! N√£o s√£o estes os caminhos que nos levar√£o ao desenvolvimento.

Nós percebemos que o Mpla está desesperadamente à procura de um catalisador de unidade interna. Esse catalisador è a promoçãoo da violência.

Nós somos pela Paz. Dizemos não à violência. Dizemos sim ao Estado Democrático e de Direito. Não aos monopólios. Sim ao pluralismo na informação.

Para terminar, dizer que sabemos que o tribunal está a receber ordens superiores e pressão dos agentes da segurança do estado, que têm permanecido na sala. Aqueles julgamentos estão a construir mártires. Nós aconselhamos vivamente a libertarem todos os jovens presos. Eles são os filhos desta sociedade que não lhes dá esperança, nem emprego e nem segurança! TIREM-NOS DA CADEIA E LEVEM-NOS PARA A ESCOLA. Tenho a certeza que enveredar pelo discurso truculento, arrogante, terá o efeito perverso de incitar de novo a uma nova e desnecessária onda de violência.

Sim ao diálogo, não à violência.

VIVA ANGOLA

VIVA A UNITA

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Sabado, 31 de Outubro de 2020