UNITAANGOLA
Fonte : UNITAANGOLA
Discurso do Presidente Isaías Samakuva para assinalar o fim do período de luto e saudar a quadra comemorativa da LIMA
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Caro Vice Presidente da UNITA, Dr. Raul Manuel Danda
Caro Secret√°rio Geral da UNITA
Prezada Presidente da LIMA
Prezados companheiros,
Senhoras e senhores,
Compatriotas:

Agradeço a oportunidade que me dão para usar da palavra neste acto político que marca o fim do período de luto que havíamos decretado para homenagear o nosso Presidente Fundador, Dr. Jonas Malheiro Savimbi e para assinalar a quadra comemorativa do 47 aniversário da criação da nossa Liga da Mulher Angolana (LIMA).

No dia 20 de Maio passado, estabelecemos um per√≠odo de luto de 30 de dias, com bandeiras do nosso partido a meia haste, a contar desde o dia seguinte, portanto desde 21 de Maio. Durante esse per√≠odo, tivemos a oportunidade de viajar pelo Pa√≠s e foi com agrado que verificamos o cumprimento dessa directriz por todas estruturas do Partido. Quero deixar aqui registada minha satisfa√ß√£o pelo facto, pois n√£o foi apenas o cumprimento da medida estabelecida que me agradou mas tamb√©m o facto de ter verificado que mesmo nas aldeias mais rec√īnditas por onde passei, as bandeiras estavam a meia haste, o que para mim representou a exist√™ncia de uma sincronia perfeita das nossas estruturas e sobretudo, a exist√™ncia de uma liga√ß√£o e comunica√ß√£o perfeita entre o topo e a base.

Acho que tamb√©m √© justo e oportuno assinalar a forma como todas as estruturas do partido implementaram as orienta√ß√Ķes dimanadas da sua Direc√ß√£o do partido, bem assim como o contributo e a participa√ß√£o de todos atrav√©s de representa√ß√Ķes que de forma massiva se fizeram presentes no acto central das ex√©quias, ocorrido na Lopitanga no dia 1 de Junho.

As doa√ß√Ķes materiais e financeiras feitas por membros e militantes do partido mas tamb√©m por angolanos e angolanas que se identificaram como tamb√©m pelos que as fizeram sob anonimato merecem os nossos renovados agradecimentos. Foram muito √ļteis para a materializa√ß√£o do nosso programa das ex√©quias.

O papel do Dr. Jonas Malheiro Savimbi no processo da liberta√ß√£o do nosso Pa√≠s do jugo colonial e na edifica√ß√£o de um sistema democr√°tico em Angola, √© incontorn√°vel. O seu pensamento pol√≠tico e a sua obra falam por si. Aqueles que procuram denegr√≠-lo ou deturp√°-lo v√£o compreendendo que quanto mais o fazem mais condi√ß√Ķes criam para torn√°-lo famoso e admirado. Na realidade, ao procurarem diabolizar este homem, esta figura, da dimens√£o do Dr. Savimbi, criam interesse naqueles que n√£o conhecem a sua verdadeira hist√≥ria para conhec√™-la. Ao faz√™-lo, acabam por compreender que a dimens√£o e o impacto dos factos que esse homem protagonizou ultrapassam de longe quaisquer falhas humanas verificadas no contexto em que elas se produziram. Ali√°s, muitas delas foram fabricadas ou ampliadas por car√≠ssimas campanhas de propaganda lan√ßadas permanentemente contra ele mesmo depois de morto.

Realizadas que foram as suas exéquias que culminaram com a inumação dos seus restos mortais e declarado ontem o fim do período de luto vamos continuar, neste ano de consagração da sua memória, a honrar a sua memória procurando materializar os princípios fundantes da UNITA, proclamados em Muangai.

Citando um dos par√°grafos da declara√ß√£o que o nosso partido emitiu ontem, direi que ‚Äútemos a convic√ß√£o de que √† medida que a luz do dia substituir a escurid√£o da noite e o horizonte clarear a nova aurora, Angola saber√° reconhecer os feitos dos seus verdadeiros filhos em prol da sua emancipa√ß√£o pol√≠tica e afirma√ß√£o democr√°tica‚ÄĚ.

Como disse atrás, no início deste pronunciamento, encontramo-nos no período de comemoração do dia da LIMA. No dia 18 de Junho a nossa organização feminina completou 47 anos de existência.

Por isso, para a LIMA, trago uma mensagem de carinho constante duma outra que j√° vos remeti em 2011 e que vou repetir. Ela √© uma mensagem de carinho, porque como vosso irm√£o e companheiro de luta, sou testemunha do sofrimento da mulher angolana quer no plano pessoal, quer no plano institucional. Testemunho todos os dias o sofrimento da m√£e que, por mais que se esforce, n√£o consegue dar aos filhos tudo o que gostaria; testemunho o sofrimento √≠ntimo da mulher que gostaria de ter o seu lar, s√≥ dela, mas que tem de partilhar; ou da m√£e que gostaria de ver os filhos a crescer junto do pai, mas este n√£o pode estar presente; ou ainda o sofrimento da jovem que engravida sem ter condi√ß√Ķes e compromete o seu futuro. Testemunho tamb√©m a dor √≠ntima, muito √≠ntima mesmo, que a mulher sente quando √© batida, humilhada e abusada por quem lhe devia amar e proteger. √Äs vezes diante dos filhos ou mesmo dos vizinhos!

Al√©m desta dimens√£o pessoal, tamb√©m sou testemunha do atraso a que as diferentes formas de exclus√£o e de discrimina√ß√£o negativa submeteram a mulher angolana. Foi-lhes negado durante s√©culos o direito √† igualdade pol√≠tica, econ√≥mica e social. √Č-lhes negado o direito a sal√°rio igual para trabalho igual. O direito √† liberdade de ser ela mesma; o direito de estar na sociedade como melhor desejar: com ou sem filhos, com ou sem marido; o direito de ter o que √© dela e gerir o que √© dela. Todos os dias ela trava uma luta √≠ntima contra as incompreens√Ķes, desconfian√ßas e temores resultantes da sua condi√ß√£o feminina. E n√£o √© s√≥ em Angola, porque os comportamentos negativos em rela√ß√£o √† mulher acontecem em todo o lado onde h√° homens....

Por isso é que vos trago uma mensagem de carinho e de solidariedade, para vos dizer do fundo do coração, como vosso irmão, que compreendo a vossa luta! A luta da mulher, afinal, é a luta de todos os homens; é a luta pela dignidade da pessoa humana. A vossa luta não está dissociada da luta dos angolanos pela liberdade, pela soberania e pela dignidade. Homens ou mulheres, somos todos a espécie humana, a pessoa humana!

Foi o desejo de atender a esta dimensão da pessoa humana no seu todo que levou o nosso Presidente Fundador a criar a LIMA . A LIMA foi fundada para estudar e resolver os problemas específicos inerentes à dignidade da pessoa feminina. Primeiro, inculcamos na mulher a consciência patriótica. Ela libertou-se como pessoa HUMANA, e não apenas como pessoa feminina. E assim, compreendendo que para além do lar, ela tem uma função social, a mulher da LIMA teve o privilégio de libertar-se primeiro do que a mulher da cidade. E porquê?

Porque a mulher da LIMA saltou etapas do processo de libertação da mulher. Ela não teve primeiro de deixar a casa dos pais para casar e depois começar a trabalhar fora de casa; e depois eventualmente ter filhos; e depois exercer uma função no Estado, como sucede em geral no curso da vida da mulher urbana.

Por ter come√ßado tradicionalmente no campo onde a UNITA come√ßou, a mulher da LIMA foi for√ßada pela hist√≥ria a abandonar o conforto e a seguran√ßa que uma vida familiar oferece. Ela teve de saltar etapas: saltou imediatamente para a √ļltima: trabalhar na conquista da cidadania, na constru√ß√£o da Na√ß√£o e na funda√ß√£o do Estado. Assim, a mulher da LIMA come√ßou a vida social como combatente fundadora da nacionalidade angolana!

Minhas irm√£s:

O vosso sacrifício não foi em vão! Mesmo que hoje, os beneficiados não o reconheçam, nunca se sintam desanimadas por não terem um diploma ou uma conta bancária choruda! O que muitas de vocês fizeram pela Pátria angolana, vale mais do que dezenas de Diplomas ou cursos superiores! A vossa riqueza é a liberdade e a dignidade que trouxestes para todos os angolanos. E a liberdade não tem preço nem se ganha com diplomas.

Quando vemos hoje, muitas mulheres angolanas bem vestidas a conduzirem os seus carros, isto é fruto do vosso sacrifício! Quando vemos jovens médicas a atenderem bem os doentes nos hospitais, outras a falarem bem no Parlamento, ensinarem bem nas universidades, outras no mundo das artes a cantar ou a pintar, isto é fruto da vossa luta pela dignidade da mulher angolana! Para elas serem o que são hoje, ou terem o que têm, alguém teve de lutar por elas e sem elas saberem. Este alguém foram as combatentes da liberdade, entre as quais as da Liga da Mulher Angolana.

√Č por isso que vos transmito neste dia, a minha mensagem de carinho pelo sacrif√≠cio altru√≠sta que consentistes ao longo dos anos.


Prezadas companheiras:

Quando vemos à nossa volta a degradação social da mulher angolana, quando vemos as filhas desta nossa Angola sem futuro, embriagadas na dor da desesperança ou vivendo na marginalidade, seja com filhos sem pai, com companheiros de ocasião, ou excluídas pelo sistema de ensino ou pelo sistema de valores, compreendemos que a luta da LIMA entrou numa nova fase. Uma fase completamente diferente: mais social do que política, mais subtil, mais exigente.

√Č a fase da luta pela afirma√ß√£o pr√°tica dos valores da angolanidade, como sejam: a coes√£o familiar e sua perenidade; a honra devida aos pais e aos mais velhos; a espiritualidade na educa√ß√£o e forma√ß√£o dos filhos; e a solidariedade social.

Nesta fase, a mulher do campo veio √†s cidades √† procura de melhores oportunidades. A√≠, a luta da mulher passou a ser a luta pela afirma√ß√£o social. A independ√™ncia financeira √© um pressuposto desta afirma√ß√£o. Ser m√£e e esposa pode ou n√£o ser uma op√ß√£o a ser exercida no tempo escolhido pela mulher. Mas ter um emprego que lhe permita tamb√©m ser m√£e e esposa sem discrimina√ß√Ķes, constitui a primeira batalha que uma jovem pretende vencer. Este processo, constitui uma luta de anos durante os quais a mulher joga o seu futuro!
Prezadas companheiras:
Angola vive pois um per√≠odo de grandes transforma√ß√Ķes sociais, que tanto constituem desafios como oportunidades √≠mpares para a LIMA. Como fazer a mobiliza√ß√£o nas cidades? Como atrair as jovens de hoje, aparentemente alienadas da vida e dos valores tradicionais da angolanidade? Como libert√°-las e garantir-lhes a seguran√ßa social que merecem?
Como poderá a LIMA intervir na sociedade para ajudar a reduzir a pobreza, expandir o emprego produtivo, reduzir as desigualdades e o subemprego e aumentar a integração social das mulheres?
Como poderá a LIMA intervir na sociedade para prevenir e erradicar a violência contra a mulher? Como prevenir e erradicar a prostituição? Como promover o controlo da natalidade e patrocinar programas eficazes de educação materno infantil?
Ser√° que a quota de pelo menos 30% de mulheres nos lugares de tomada de decis√£o em todas as institui√ß√Ķes √© insens√≠vel √† compet√™ncia e √† idoneidade pol√≠tica e social da mulher? .
Estes são os principais desafios que a LIMA enfrenta hoje. Conquistada a cidadania para todos os angolanos, importa agora conquistar a justiça social para todos. Isto implica adaptar a filosofia e os métodos de luta da LIMA ao momento actual.

Que tipos de estrutura deve a LIMA adoptar para esta luta? Que mensagens deve a LIMA difundir para sensibilizar a sociedade e nela desempenhar melhor o seu papel?

H√° que encontrar nas cidades formas pr√≥prias para trazer para o Partido muitos quadros t√©cnicos, de todas as etnias e regi√Ķes do pa√≠s! Temos de nos lembrar sempre que cerca de dois ter√ßos dos habitantes das cidades hoje, s√£o oriundos do campo e vivem nas periferias das cidades. Para estes, que na sua maioria s√£o mulheres, as t√©cnicas de mobiliza√ß√£o devem ser diferenciadas.

No campo, o povo libertou-se e j√° n√£o tem medo. Velhos e novos, homens e mulheres, que haviam sido enganados, devolveram os cart√Ķes do MPLA e vieram aos nossos comit√©s pedir cart√Ķes da UNITA. Querem todos pertencer √† UNITA. A LIMA deve enquadrar estas cidad√£s nas estruturas do nosso partido.

Esta √© a ess√™ncia do desafio que a minha mensagem encerra. Exorto-vos a reflectir sobre estas quest√Ķes nos vossos programas durante o per√≠odo destas comemora√ß√Ķes.

O calend√°rio pol√≠tico do nosso partido para este ano tem v√°rios programas ainda por realizar. Entre eles, quero destacar a prepara√ß√£o do processo aut√°rquico e a realiza√ß√£o do XIII Congresso Ordin√°rio do nosso Partido e do V Congresso Ordin√°rio da LIMA. Todos juntos e unidos, preparemo-nos para a materializa√ß√£o com √™xito destes dois eventos de suma import√Ęncia para o nosso partido.

Parabéns à LIMA.

Juntos podemos e unidos venceremos.

Luanda, 22 de Junho de 2019.
Isaías Samacuva




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