UNITA - ANGOLA
Com os Acordos de Bicesse, os angolanos conquistaram ainda a democracia participativa aquela que se concretiza através do Poder Local Autárquico. Como todos devem saber, aqui na nossa região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral – SADC e nos Países de Língua Oficial Portuguesa, Angola é único país que não realiza eleições autárquicas.
01/04/2021
Angolanas e angolanos:

Dirijo-me às angolanas e aos angolanos para assinalar em nome da UNITA e no meu
próprio, a passagem do dia 4 de Abril, Dia da Paz e da Reconciliação Nacional.

O 4 de Abril é um dia histórico, um dia de memórias e de reflexões sobre a nossa
história, os nossos sonhos, nossos erros, nossos desafios e aspirações. É o dia da
assinatura do terceiro documento pré constituinte da República de Angola, o
Memorando de Entendimento do Luena.

O Memorando do Luena insere-se no processo de mudança de regime político-
constitucional, iniciado em 1991, com a assinatura dos Acordos de Paz Para Angola,
firmado entre o Governo da República Popular de Angola e a UNITA. Complementou o
Protocolo de Lusaka, um conjunto de 10 Anexos aos Acordos de Paz, assinados em
Novembro de 1994, pelos subscritores dos Acordos de Paz sob a mediação formal da
Organização das Nações Unidas, representada por Alioune Blondin Beye,
Representante Especial do Secretário-Geral da ONU em Angola e na presença dos
Representantes dos Governos de Portugal, EUA e da Federação Russa, que
participaram nas negociações na qualidade de promotores, observadores e garantes
do processo de mudança do regime de Partido único para o regime democrático. Esta
mudança é que constitui o cerne do processo de paz. É um processo político-
constitucional, e não apenas militar.

O objetivo desses dois últimos documentos foi estabelecer os princípios e as
modalidades para se “concluir a implementação dos Acordos de Paz Para Angola
assinados em Lisboa em 31 de Maio de 1991”, garantir “o funcionamento regular e
normal das instituições resultantes das eleições realizadas nos dias 29 e 30 de
Setembro de 1992”, e para se “instaurar uma paz justa e duradoura no quadro de uma
verdadeira e sincera reconciliação nacional”, “tendo em mente”, também, “as
pertinentes Resoluções do Conselho de Segurança da ONU”.

A paz que vivemos e celebramos em Abril de 2002, porém, não é ainda a “paz justa e
duradoura” intencionada pelos negociadores da Paz, em Bicesse, nem pelos nossos
Mais Velhos, a primeira geração dos patriotas que combateram pela liberdade, pela
independência e pela dignidade dos angolanos numa Angola pós colonial. A paz de
Abril é apenas um começo, um símbolo, um dos marcos históricos do processo
inacabado de construção do edifício da paz democrática, que deveria ter iniciado em
1975 mas que apenas começou em 1991.

Por isso saudamos e prestamos uma justa homenagem a todos os patriotas que deram
as suas vidas pela liberdade e pela paz. Saudamos também o Dr. Jonas Malheiro
Savimbi e o Presidente de Angola de então, José Eduardo dos Santos, que em 1991
assinaram os Acordos de Bicesse que consagraram na Constituição de 1992 os
princípios e valores do novo regime político negociado em Bicesse – valores pelos quais

a UNITA se bateu para o benefício de todos os angolanos – Democracia,
Multipartidarismo, Estado de Direito, Liberdade Económica, Autarquias Locais e Boa
Governação.

Compatriotas e amigos:

O fratricídio entre os angolanos começou, infelizmente, antes da independência e
agudizou-se na violação dos Acordos de Alvor. A democracia foi sufocada por décadas
e o Estado de direito foi pisoteado de tal forma que hoje, dia da paz, Angola não está
com a paz efectiva, a paz dos corações, porque a paz de Abril foi utlizada pelos poderes
constituídos para atentar contra a Paz democrática cujo arcabouço começou a ser
erigido em 1991.

A paz democrática exige que Angola pare com a guerra em Cabinda e inicie
imediatamente o diálogo. A democracia tem formas de solucionar reivindicações
regionais, históricas, ou sociais no quadro do Estado unitário de Angola. É preciso parar
com a guerra e dialogar. Não se pode celebrar a paz em Luanda enquanto se faz guerra
em Cabinda. Não se pode celebrar a paz no Cunene e ativar bazucas e morteiros contra
cidadãos no Cafunfo ou em outros lugares só por pensarem diferente.

Nas democracias, o Estado e os cidadãos são parte da mesma realidade porque os
cidadãos são o substrato humano do Estado. O Estado não é inimigo dos seus cidadãos
e os cidadãos não atentam contra si próprios, contra o seu Estado.

A reconciliação que Abril celebra não se deve limitar à reconciliação entre o Estado do
MPLA e a UNITA. É reconciliação nacional. A Nação angolana é bem mais ampla do que
os subscritores dos Acordos de Paz. É preciso tomar medidas mais corajosas e
consensuais para se concretizar a reconciliação entre o Estado angolano e as vítimas
do fratricídio do 27 de Maio; e entre os membros das fações do MPLA que utilizaram o
Estado para ofender gravemente os direitos humanos de milhares de cidadãos que por
sinal eram correligionários do mesmo Partido Estado.

O Estado angolano precisa de se reconciliar igualmente com as vítimas do fenómeno
da Sexta-Feira sangrenta, com as vítimas do massacre no Monte Sumi e com todos os
outros grupos sociais que sofreram as amarguras da exclusão e da violação brutal e
preordenada dos seus direitos fundamentais, só por não se submeterem à ditadura do
Partido-Estado.

A paz não pode estar desligada da democracia e do respeito pelos direitos humanos,
porque ela surge como consequência de um Acordo para a mudança do regime
político: de ditadura do proletariado para democracia multipartidária.

De facto, a democracia política, económica e cultural, a reconciliação nacional, a justa
distribuição da riqueza nacional entre o poder central do Estado e o poder autónomo
das autarquias locais, ou entre os diversos povos e micro nações que constituem
Angola, bem como o exercício do poder político nos limites da Constituição e da lei,
como fundamentos da paz, continuam por cumprir.

Na paz democrática, não há um Partido que captura o Estado para delapidar o País,
simular processos eleitorais e pisotear a Constituição e a lei para se perpetuar no
poder.

Na paz democrática, os Partidos políticos têm igualdade de tratamento na imprensa
pública, a imprensa de todos. Os órgãos públicos de comunicação social deverão ser
politicamente isentos e apartidários. Os órgãos de inteligência e de segurança do
Estado não devem servir os Partidos políticos que governam, porque devem ser órgãos
de todos, estarem ao serviço de todos e não se confundirem com o Partido político
onde milita o Chefe de Estado.

Na nossa paz democrática, o Presidente da República deve ser o símbolo da unidade
nacional, e não da unidade partidária. Ele deve exercer a sua magistratura de forma
activa e isenta, em benefício de todos os angolanos. Por isso, não se deve remeter ao
silêncio conivente perante assassinatos políticos de cidadãos, independentemente da
sua filiação política ou do seu credo religioso.

Na paz democrática, não há poderes absolutos e imunes à fiscalização. Nem há
titulares de órgãos públicos que sejam irresponsáveis perante os seus actos.
A paz democrática não é a paz dos vencedores, porque nenhum fratricídio tem
vencedores. Todos perdemos e todos ficamos mais pobres e mais órfãos. A paz
democrática é a paz fundada em Bicesse, em 1991 e reafirmada em Lusaka, em 1994, e
mais tarde no Luena, em 2002. A paz democrática deve continuar a ser construída
todos os dias por cada um de nós.

Prezados compatriotas:

Há hoje uma nova geração de patriotas dispostos e disponíveis para construir a
verdadeira Paz, pronta para continuar o trabalho de construção do edifício inacabado
da paz democrática. O grande desafio que se coloca diante dessa geração de patriotas
é resgatar o Estado que foi capturado pela oligarquia que subverteu a democracia e
institucionalizou a corrupção e a impunidade.

Esta geração de reformadores anónimos e silenciosos está espalhada pelo país, a
maioria dos quais não tem filiação político-partidária. A vós eu apelo para que não se
deixem distrair por processos tímidos e insuficientes de revisão constitucional nem por
processos judiciais seletivos que visam transmitir a ideia de que o regime mudou,
porque não mudou. O regime é o mesmo, as práticas são as mesmas, os abusos são os
mesmos, os métodos subversivos são os mesmos e em alguns casos são mesmo mais
ostensivos e insensíveis à dignidade humana.

Apelo-vos a discernir a natureza subversiva do regime que fala de paz mas actua
contra a paz. Ao agredirem a democracia todos os dias, estão a agredir a paz. Ao
impedir a diversidade e o pluralismo político no controlo privado do espaço público e
da economia, estão a agredir a paz. Ao bloquear a implementação efectiva das
autarquias locais, estão a agredir a paz. Ao minar a lisura e a transparência dos
processos eleitorais, estão a agredir a paz.

Cabe aos angolanos de todos os Partidos e aos sem Partido reverter este quadro para
construir a PAZ e afirmar a Democracia e o Estado de Direito em Angola.
Angola precisa de consolidar e ampliar agora a sua frente patriótica unida porque a
união faz a força!

A nova geração deve trabalhar com os mais velhos, em paz e em harmonia, para
resgatar a Pátria. Deve agir com perspicácia e determinação, nos marcos da
Constituição e da lei. Sempre nos marcos da Constituição e da lei. E só nos marcos da
Constituição e da Lei.

Muito Obrigado a Todos

Luanda, 01 de Abril de 2021.

Rua 28 de Maio – 1ª Travessa Nº. 2, Maianga
Em destaque
24/02/2021
08/02/2021
Há 19 anos, no dia 22 de Fevereiro de 2002, tombava em combate, na localidade de Lukusse, no Moxico, como herói e mártir, um dos mais insignes filhos da nossa pátria, o Dr. JONAS MALHEIRO SAVIMBI. Este dia é para a UNITA, o dia do Patriota.
O Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, alargado aos membros do Conselho Presidencial, reuniu, em Sessão Extraordinária, no dia 06 de Fevereiro de 2021, sob orientação do Presidente do Partido, Adalberto Costa Júnior para a análise dos últimos desenvolvimentos da situação vigente no País, à luz dos trágicos acontecimentos ocorridos no dia 30 de Janeiro do ano corrente, em Cafunfo, Município do Cuango, província da Lunda Norte, torna público o seguinte:
O Comissário Geral Paulo de Almeida, fez saber, ontem, terça-feira, 13, durante o encerramento do 18º curso básico da PN que integrou 1552 efectivos oriundo das FAA, no Kikuxi, em Viana, que a Polícia Nacional vai ser mais dura em fazer cumprir os Decretos Presidenciais sobre a Situação de Calamidade Pública, “vamos reforças a nossa actuação a todos que violam os princípios dos Decretos Presidenciais sobre a Situação de Calamidade Pública, tudo está bem claro, a acção pedagógica já foi suficiente”, avisou.
Encerrou nesta terça-feira, 13, na Escola de Formação de Polícia Nacional (PN) do Kikuxi, município de Viana, o 18º curso básico da PN que integrou 1552 efectivos oriundo das FAA, os finalistas fazem parte do grupo dos 12 mil efectivos integrados nos anos 2018/2019.
A Assembleia Nacional está a realizar hoje, em Luanda, uma reunião de auscultação sobre a Proposta de Revisão da Constituição submetida à Assembleia Nacional, pelo Presidente da República.
Morreu o príncipe Filipe, o marido da rainha Isabel II, anunciou a Família Real no Twitter. Tinha 99 anos.
A Associação Industrial de Angola (AIA) propôs ao Ministério das Finanças a aplicação do Imposto Especial de Consumo (IEC) à taxa de 30 por cento sobre a farinha de trigo importada, revelou o presidente da agremiação empresarial.
Uma dirigente do BP do MPLA, Maricel Marinho da Silva Capama apresentou recentemente ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) uma participação pelo crime de calúnia e difamação contra o responsável da mobilização da UNITA de Luanda, Alexandre Dias dos Santos, também conhecido por “Libertador”.
Eco do Partido
Campo do militante
O Presidente da UNITA, Isaías Samakuva, trabalhou esta quarta-feira 26 de Julho de 2017, na capital do Bengo, Caxito, tendo discursado para as populações locais.
“A Importância ou não da cerca sanitária em Luanda” foi o tema do Debate da manhã deste sábado, 22 de Agosto de 2020, na Rádio Despertar, em que os convidados consideraram não continuarem válidas as razões que estiveram na base da criação da cerca sanitária à Província de Luanda.
Intolerância
Palavra do Presidente
A postura foi defendida pelo Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, esta quinta-feira, 8 de Abril de 2021, na abertura da Conferência que marcou o encerramento das actividades dos 55 anos da fundação da UNITA, no acto decorrido no Centro de Convenções do Talatona, em Luanda.

O responsável do segundo Partido mais representado no Parlamento Angolano considerou que, “aos Partidos Históricos, de cuja galeria a UNITA faz parte, está colocada a capacidade de saberem honrar o seu património histórico, político e revolucionário e conseguirem interpretar devidamente os desafios do desenvolvimento”.

“Sermos actores comprometidos com o desenvolvimento e sermos factores de promoção do desenvolvimento dos nossos países”, apelou.

“Não é possível abraçar o desenvolvimento sem, garantir na plenitude as liberdades individuais e colectivas. Não é possível abraçar o desenvolvimento sem garantir o Estado de Direito Democrático, comprometido com o escrupuloso respeito pelos direitos humanos”, disse Adalberto Costa Júnior.

“O crescimento económico, o desenvolvimento e o bem-estar das populações exigem lideranças que dialogam, lideranças fortemente comprometidas com as liberdades e com a democracia”, reforçou.

“A UNITA está fortemente empenhada em liderar uma ampla frente democrática para materializar a alternância do poder político, em 2022 e materializar o sonho adiado de uma Angola Inclusiva, Participativa”, revelou o responsável.

Na sua comunicação o Presidente da UNITA defendeu, com o seu Partido no Poder, a formação de “um governo de Angola que acabe com a partidarização das instituições do Estado, que assuma o compromisso de uma ampla revisão da constituição e devolva a soberania ao povo com o direito de eleger o Presidente da República, um governo que realize as utarquias locis, um goveerno que se coloque ao serviço de todos os angolanos”.
grupo parlamentar 
O Presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Liberty Chiyaka conduziu esta quinta-feira, 15 de Abril de 2021, uma Conferência de Imprensa cujo assunto principal foi a problemática do lixo em Luanda.

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
No dia 30 de Março o Grupo Parlamentar da UNITA solicitou ao Presidente da Assembleia Nacional uma audição conjunta, com carácter de urgência, aos Ministros do Ambiente, Finanças e à Governadora da Província de Luanda, em virtude da grave crise sanitária decorrente da falta de condições adequadas de recolha e tratamento de resíduos sólidos na cidade capital, sem no entanto, até ao momento ter qualquer resposta por parte do Presidente da República, comportamento que reputamos de gravíssimo, tendo em conta o facto de representantes legítimos do povo angolano pretenderem dos Auxiliares do Titular do Poder Executivo, os
devidos esclarecimentos das medidas urgentes para a resolução da referida crise do lixo em Luanda.

A nossa cidade capital se tornou nos últimos meses a cidade da imundície por falência abrupta do sistema de recolha e tratamento dos resíduos sólidos. Embora não seja a primeira vez que isto aconteça, a novidade desta vez reside no volume de lixo abandonado nas ruas da cidade e na manifesta impotência das autoridades provinciais em superar a grave crise do lixo. A situação assumiu proporções tão alarmantes, constituindo um sério atentado à saúde pública digno de uma declaração de situação de calamidade pública. Para agravar a situação têm se abatido sobre a cidade grandes volumes pluviométricos fazendo da mistura águas residuais e lixo uma verdadeira bomba relógio prestes a desencadear uma crise sanitária de proporções imprevisíveis.

De realçar que em Democracia, o gestor de todas as verbas previstas no Orçamento do Estado deve prestar contas da gestão que faz do dinheiro de todos os cidadãos no país. Quem quer governar o país, deve ser responsável pela gestão que faz, isto é a prestação de contas é um dos requisitos fundamentais de qualquer verdadeira Democracia; não havendo prestação de contas transparente e credível, não há democracia.

O Grupo Parlamentar da UNITA e os seus Deputados estão extremamente preocupados com a situação catastrófica do lixo na Província de Luanda, pois a falta de saneamento básico nesta dimensão provoca nas comunidades insegurança sanitária, doenças relacionadas à falta de limpeza pública, doenças relacionadas com os amontoados de lixo em contacto com as águas das chuvas, dos rios e do mar, que são fonte de alimentação dos citadinos de Luanda, que consomem o peixe dos rios e do mar contaminados com o lixo arrastado pelas chuvas.

Este cenário miserável de lixo e doenças apenas pode ser imputável ao Sr. Presidente da República, enquanto Titular do Poder Executivo e gestor máximo do Orçamento Geral do Estado, uma lei e instrumento aprovado anualmente pelos representantes do Povo, os Deputados.
As questões que se colocam são as seguintes:
1 – Como foi possível chegar a esse ponto? A quem responsabilizar por este grosseiro atentado a saúde pública?
2 – Como se explica a impotência das autoridades, que permitem que a situação se arraste indefinidamente, pondo em risco a saúde e mesmo a vida de milhares e milhares de cidadãos angolanos?
O sistema de recolha e tratamento de resíduos sólidos é um dos bicos de obra na administração das cidades pois estas, por natureza, produzem toneladas e toneladas destes resíduos que se não forem adequadamente tratados comprometem profundamente o funcionamento e a vida humana nestes espaços que têm características muito peculiares. A importância deste sistema é tão relevante quanto os sistemas de mobilidade, saneamento básico e distribuição de água potável e electricidade cuja falência pode levar ao colapso das cidades. De modo geral as cidades têm este sistema apurado, fruto de experiências seculares que levaram ao estabelecimento de padrões adaptáveis a diferentes contextos.

O lixo quando tratado inadequadamente interfere directamente com a saúde das pessoas, propicia a proliferação de insectos e roedores que podem ser vectores de doenças que podem rapidamente assumir contornos epidémicos e provocar mortes em massa. A combinação lixo/águas residuais potencia os efeitos epidémicos do lixo, pois as águas estagnadas, além de poderem contaminar fontes de água de consumo, constituem também um meio privilegiado para a proliferação de outros vectores, nomeadamente mosquitos que estão na origem de doenças, como a malária, dengue, febre amarela, chikungunia e tantas outras.

Em Luanda estamos já perante uma situação evidente de crise (crise do lixo), sendo a face mais visível as moscas que invadem acintosamente as nossas casas, o aumento evidente da população de mosquitos e as larvas nojentas que se arrastam para tudo que está próximo dos vastos focos de lixo espalhados pela cidade. A parte ainda imersa deste enorme iceberg são as doenças diarreicas agudas e outras gastroenterites cuja incidência deve ter aumentado, mas as autoridades fingem ignorar. Há já relatos de mortes por desidratação severa por síndromes eméticos e
diarreicos; há já inúmeros relatos de ausências laborais por gastroenterites, mas o sinal de alerta das autoridades sanitárias parece não ter soado ainda. Não se intensificam as medidas de luta anti-vectorial para se impedir um aumento descontrolado de casos de malária e febres hemorrágicas como a dengue e a febre amarela que podem matar muito mais que a Covid-19. Parece que não extraímos as necessárias lições da crise de 2016 em que a combinação malária/febres hemorrágicas matou mais de 15 mil pessoas em pouco mais de 3 meses. As autoridades
assistem passivamente a formação da tempestade para depois correr atrás das consequências, com custos mais elevados. É preciso agir agora para evitar situações desastrosas amanhã.
A presente crise do lixo é responsabilidade directa do Presidente da República e da sua auxiliar, a Governadora de Luanda Joana Lina que rompeu o contrato com as operadoras de recolha e tratamento de resíduos sólidos antes mesmo que tivesse um plano de contingência. Por mais razões que tivesse a Governadora para cessação de contrato com as operadoras teria que estabelecer um plano de contingência que considerasse a continuidade da actividade das empresas até a sua substituição por meio de concurso público, como mandam as regras contidas na Lei de Contratação Pública. Ao não proceder assim a Governadora incorreu num clamoroso erro de gestão que teve graves
consequências para a saúde pública, sob o olhar silencioso e cúmplice do Presidente da República. Para piorar, e pressionada pela gravidade da situação, a Sra Governadora procurou soluções absolutalmente ineficazes
e, por fim acabou promovendo um concurso público viciado que selecionou empresas sem capacidade técnica para a empreitada e que, ainda por cima, exigem um down payment (pagamento adiantado) para a
aquisição de meios para cumprir o que o contrato estabelece. Desta forma, longe de resolver o problema a Sra Governadora arranjou outros problemas e a mistura lixo/águas residuais persiste em ser o cartão de
visitas de Luanda com todos os riscos que daí advêm. Pelos erros sucessivos cometidos a Sra Governadora já não tem moral para continuar a dirigir os esforços no sentido da inversão da crise e deve assumir a
responsabilidade política e administrativa pela Crise do Lixo em Luanda.
Assim, entendemos que é imperiosa a intervenção do Executivo, na pessoa do Titular do Poder Executivo para se pôr cobro a situação e impedir que o desastre assuma proporções maiores e difíceis de controlar.
Enquanto responsável principal da gestão do país devia exonerá-la por incompetência, pois cada morte que ocorre em Luanda, a responsabilidade deve ser assacada ao Presidente da República, que na sua tomada de posse jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição que impõe que o Estado respeita e protege o direito à vida é inviolável. Ora, a
vida dos cidadãos angolanos não está a ser nem respeitada, muito menos protegida, por quem jurou respeitar e protegê-la.
Assim sendo, para alé do que já foi solicitado, a intervenção que aqui se solicita deverá, entre outros aspectos, determinar:
1- A responsabilização política e administrativa da Sra. Governadora de Luanda Dra. Joana Lina
2- A criação de um task-force com as seguintes atribuições:
a) Anulação com efeitos imediatos do último concurso público promovido pelo GPL e que selecionou empresas sem capacidade técnica para a tarefa contratada.

b) Limpeza emergencial da cidade com remoção de todos os focos de lixo.
c) Restauração do sistema de drenagem e reconstrução das infraestruturas danificadas pelas chuvas (ruas, estradas, pontes e pontecos, condutas de água e rede eléctrica).
d) Reavaliação do sistema de recolha e tratamento de resíduos sólidos e propostas de medidas para torna-lo sustentável e resiliente às mudanças na administração.
3 – Plano emergencial de medidas sanitárias de prevenção das doenças que podem ocorrer por causa do lixo e como consequência das chuvas.
A situação a que chegamos é demasiado grave para nos mantermos indiferentes a ela. Interpela-nos o nosso dever de cidadania a que instemos os governantes a tomarem medidas enérgicas no sentido de estancar a crise do lixo em Luanda. Os cidadãos pagam uma taxa específica para financiar o sistema de recolha de resíduos sólidos de
Luanda. É justo que em troca recebam um serviço consentâneo com as exigências da cidade que escolheram para morar. Se a cidadania não se manifestar e a letargia do Executivo persistir pagaremos todos um preço
elevado com as consequências da crise sanitária que emergirá em decorrência da Crise do Lixo.
Por fim, a presente crise do Lixo é mais uma prova de que a descentralização político-administrativa por via da Institucionalização do poder local autónomo é fundamental para corrigir muitas das distorções e
disfunções que caracterizam hoje a Administração Pública, permitindo a existência de um novo modelo de recolha, tratamento e gestão dos resíduos sólidos de modo autónomo, transparente, descentralizado, cuja
competência a Constituição já atribui às Autarquias Locais.
Deus Abençoe Angola
Muito obrigado
Luanda, 15 de Abril de 2021
O Grupo Parlamentar da UNITA
L.i.m.a - actividades
Vale referir que podemos considerar o ano que hoje termina um ano "suis generis", tendo em conta a especificidade dos acontecimentos registados e que abalaram de forma negativa o Mundo e em particular o nosso País.

Estamos a falar sobretudo da Covid-19 que não escolheu raças, tribos, condição social e económica. Isto deve servir de lição para que se respeite e se aplique de facto o princípio de igualdade e da dignidade da pessoa humana.

Precisamos olhar para o ano que termina com alguma honestidade e um senso crítico e seletivo para sabermos o que fizemos de positivo para as nossas comunidades e para as nossas próprias vidas, no sentido de acautelarmos que falhas que aconteceram no ano que ora finda não se repitam, projetando assim, um futuro com mais solidariedade e compaixão, criando um ambiente de convivência na diversidade de opiniões, pois as diferenças bem geridas são susceptíveis em criar um desenvolvimento harmonioso e equilibrado. É preciso que as nossas acções estejam marcadas de coerência e honestidade, principalmente para os gestores públicos, sob pena de cairem em descrédito.

Terminar o ano, é hora de balanço, pessoal e colectivo, pensando nas nossas atitudes, no modo como nos relacionamos entre seres da mesma espécie, a humana, e com honestidade alterar tudo que precisa mudar do ponto de vista físico e não só.

Portanto é momento de retrospectiva que deve encerrar muita honestidade para que a sociedade seja melhor e sirva os propósitos da humanidade e do senso de racionalidade.

Ao terminar o ano, precisamos que cada um perdoe o seu próximo por tudo que tenha feito de errado para relançar um novo ambiente capaz de salvaguardar a dignidade e a integridade de todos em torno do bem comum.

Muitas foram as situações que ocorreram e que precisam de ver uma esponja a passar por cima delas para alavancar um outro modo de convivência entre irmãos na fraternidade e na paz.

Todavia, transitar para o outro ano, para além de ser um acto festivo, deve se transformar num acto de reflexão, capaz de, com honestidade, iluminar o caminho a seguir de forma positiva no ano de 2021.

Ainda vivemos numa era em que a fome, a miséria, as doenças endêmicas e outras infelizmente fazem morada no nosso seio, privando o que é essencial para que seres humanos se desenvolvam e vivam de acordo com a vontade do criador.

As mulheres, diante deste emaranhado de coisas, devem servir de agentes de união e conselheiras para que consigam unir as famílias que são os núcleos essenciais da sociedade, pois tem se dito que família educada, sociedade sã e reconciliada.

À todos, que o ano de 2021 seja um ano de várias conquistas e que a paz social substitua a paz do calar das armas, para que cada angolano saiba explorar positivamente os seus pontos fortes.

Boas saídas e boas entradas
Manuela dos Prazeres de Kazoto

Fonte: Club-k

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Obra de Isaías Samakuva
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Quarta-feira, 21 de Abril de 2021