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UNITAANGOLA
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Presidente da UNITA orienta reunião do Secretariado Executivo
Segundo fonte daquele órgão de direcção da UNITA, dentre vários assuntos abordados, o destaque vai para o calendário das actividades políticas, culturais e recreativas a realizar no âmbito do Cinquentenário da UNITA e do 14º aniversário da morte em combate do Dr. Jonas Malheiro Savimbi.
29/01/2016
Discurso de Encerramento do I Seminário Metodológico dos Quadros e Dirigentes da UNITA
Caro companheiro Dr. Raul Manuel Danda- Vice Presidente da UNITA
Prezado companheiro Franco Menezes Marcolino Nhany- Secretário Geral da UNITA,
Prezado companheiro Dr. Rafael Massanga Savimbi – Secr. Geral Adjunto da UNITA
Distintos membros da Direcção da UNITA
Caros companheiros, membros da UNITA,
Minhas senhoras e Meus senhores

Chegamos ao fim do nosso Seminário Metodológico. Este foi apenas o primeiro. Dentro de pouco tempo, realizaremos outro, visando sobretudo os nossos quadros ao nível da direcção das províncias. Espero que os objectivos que tinham sido traçados para este seminário tenham sido bem compreendidos. A nossa atitude e as nossas acções diárias nas próximas semanas e próximos meses em relação ao trabalho irão dizer-nos se valeu a pena passarmos aqui quase quinze horas de trabalho.

Como dissemos no início deste seminário, estamos no princípio de um novo ano e de um novo mandato. Buscamos uma nova dinâmica. Vamos então para o terreno, para implementarmos os programas do nosso partido no espírito desta nova dinâmica abordada aqui durante o seminário.

Vamos certamente, encontrar várias dificuldades e vários obstáculos na implementãção dos nossos programas. Uns serão de ordem material; outros de ordem conceptual; outros ainda de ordem política. Devemos ter em conta que o terreno da nossa acção é um espaço onde vamos encontrar concorrentes e adversários.

Precisamos de coragem e de trabalho inteligente para ganharmos e consolidarmos a nossa posição. Não precisamos de insultar ninguém para atingir os nossos objectivos. Não precisamos de radicalismos na transmissão da nossa mensagem. Precisamos apenas de dizer a verdade sobre a situação do País e de divulgar o nosso projecto de sociedade e o nosso programa para salvar os angolanos do sofrimento.

Os membros do nosso Governo Sombra que o companheiro Vice Presidente do Partido vai coordenar, assumem uma responsabilidade muito grande neste aspecto.

Juntamente com os sectores da mobilização, da reinserção dos ex-militares e do poder local, deverão trabalhar no sentido de demonstrar àqueles que ainda acreditam na propaganda hostil contra o nosso Partido e, por isso, ainda duvidam da capacidade da UNITA mudar para melhor a situação que o País vive, que o caminho da liberdade, do desenvolvimento, da justiça e do bem estar, passa por votar na UNITA, ou seja, passa por colocar a UNITA na Direcção do País.

Há muita gente que fez muito mal a este povo e a este país que tem medo da UNITA porque pensa que a UNITA vai se vingar um dia. Por isso pintam-na de preto e atribuem à UNITA muitas mentiras e falsidades históricas.

Mas, eu vos digo, companheiros e compatriotas. Examinem os factos e não tenham medo, porque não haverá vinganças. Ninguém tem nada de se vingar porque no passado todos fizemos coisas boas e coisas más. Costumamos dizer que do passado fraticida, culpados somos todos , responsáveis somos todos, vítimas somos todos.
A UNITA não vai tirar os bens de ninguém. Angola é grande e tem espaço e recursos para todos. Vamos respeitar a construção que já está feita e os construtores que a fizeram. Vamos respeitar a propriedade alheia. Entendemos ser este o significado da reconciliação nacional.
Reconciliação é ter nova atitude para com o nosso irmão, é aceitá-lo como diferente, mas com direitos iguais. É promover uma mudança de cultura política. Esta mudança interior tem de se operar em cada um de nós em 2016. O processo de construção de uma nova cultura política envolve também uma reconciliação de memórias.

O perdão passa pela descoberta de uma forma de coabitação entre a vítima e o prevaricador. A prioridade deve ser dada à reconciliação, e não à retribuição. Deve ser dada à justiça restauradora, e não à justiça punitiva.

Para tanto, precisamos de corrigir algumas inverdades implantadas na nossa memória colectiva pelo acidente da propaganda. Por exemplo:

? Muitos de vocês ouviram dizer repetidas vezes que a guerra recomeçou em 1992 porque a UNITA não aceitou os resultados eleitorais. Isto é mentira. Eu tenho aqui cópia da Resolução número 793, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, datada de 30 de Novembro de 1992, que diz claramente no sétimo parágrafo que o Conselho tomou boa nota do facto de que a UNITA aceitou os resultados eleitorais.

? Muitos ficam perturbados pelo facto de a maioria dos membros da UNITA serem do centro ou do sul de Angola. É mera coincidência histórica. O partido tinha de começar num ponto qualquer assim como qualquer empresa ou associação começa num ponto qualquer. Mas isso não a torna uma associação sectária, tribalista, atrasada ou racista. A UNITA é formada por pessoas de todas as raças e origens étnicas. É o partido político angolano com maior diversidade entre os seus quadros técnicos e dirigentes. É verdade que a grande maioria dos membros é pobre ou de poucos meios, mas não é esta a expressão fiel da população angolana?

? Vamos para o terreno, ajudar todos a fazerem esta mudança interior, o que significa ter uma nova atitude para com o nosso partido, fazer uma reconciliação de memória. Os gabinetes sirvam para conceber, planear, criar bancos de dados mas não nos absorvam todo o tempo. Vamos para o terreno ao encontro do cidadão. Expliquemos-lhe o que pensamos do país e o que queremos fazer para mudá-lo a fim de nos proporcionar uma vida melhor. Queremos que a cada cidadão seja permitido participar na construção do futuro, porque é o futuro que nos interessa. O passado é para os historiadores. O futuro é para os visionários, os construtores da paz e do país inclusivo e desenvolvido que todos almejamos.

Aos nossos compatriotas que exercem a sua cidadania através de organizações da sociedade civil, enfatizemos o seguinte:

O país ainda é sufocado por um aparato estatal impermeável, ineficiente, que intervém demasiado nas relações sociais privadas. Para desenvolver as suas potencialidades, Angola precisa de se libertar deste controlo estatal e construir um Estado moderno, eficiente, democraticamente fiscalizado, e virado para a sua função essencial, que é promover o bem público e não controlar o espaço público.

Por isso, a UNITA saúda a intervenção política e social que fazem na afirmação da nacionalidade angolana. Saudamos os movimentos sociais, a juventude, os sindicatos e demais organizações cívicas pela conquista desses espaços. Exortamo-los a prosseguir com coragem e determinação porque os partidos políticos não esgotam os espaços de participação dos cidadãos na vida pública. Há lugar para os independentes e para os movimentos não políticos demonstrarem que são cidadãos.

A fronteira dos espaços de intervenção de cada um está bem definida. Os métodos de intervenção também. Mas temos objectivos comuns para o alcance dos quais podemos fazer convergir nossos esforços e realizações. Por isso, contem connosco. Venham dialogar connosco sempre que desejarem, porque somos parceiros na construção do futuro. Por isso, juntem-se a nós na construção desse futuro.

Companheiros e compatriotas: ide, semeai a mensagem da UNITA em todos os cantos do País. O futuro pertence-nos. Juntos, podemos.


Luanda, 28 de Janeiro de 2016.

Isaías Samacuva

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Intolerância
Palavra do Presidente
Discurso do Presidente Samakuva à IV Reunião Ordinária da Comissão Política
Discurso do Presidente Samakuva na Abertura da IV Reunião Ordinária da Comissão Política

Prezados companheiros da Direcção do Partido,
Minhas senhoras e meus senhores:

Cumpre-me em primeiro lugar saudar a todos os companheiros aqui presentes, para participar nos trabalhos da IV Reunião ordinária da Comissão Política.
Sejam todos bem vindos!

A Comissão Política foi convocada para cumprir com uma obrigação estatutária e para além das formalidades sobre questões internas habituais, achamos que esta é também uma oportunidade para passar em revista a situação nacional à luz dos desenvolvimentos que o País tem conhecido. De facto, nos últimos meses, o nosso país tem conhecido situações que suscitam preocupação de vários angolanos que achei oportuno e importante trazer à atenção deste importante órgão do nosso Partido.

Através de vários golpes de Estado silenciosos e subtis, o senhor Presidente José Eduardo dos Santos, consolidou o derrube do regime democrático acordado em Bicesse para dar lugar a um regime muito similar ao ‘sultanismo’, que é o nome que a ciência política atribui ao fenómeno que alguns analistas angolanos classificam de ‘eduardismo’.

A classificação que fazemos do regime actual como ‘sultanismo’ é baseada nas características fundamentais dos regimes não democráticos estudadas por dois cientistas políticos, Linz e Stepan[1], a partir do trabalho analítico de Max Weber.

Segundo estes cientistas, o ‘Sultanismo’ é um regime de governo autoritário onde um só governante está presente em todas as instâncias de poder. Há uma excessiva concentração de poderes num líder que os exerce de forma arbitrária com um fim tendencial de salvaguarda de interesses privados. Os regimes sultânicos anulam a diferença entre público e privado no que respeita à esfera de actividade patrimonial do líder.

Exemplos históricos desses regimes incluem o Haiti dos Duvalier, as Filipinas de Marcos, a República Centro Africana de Bokassa, o Irão do Xá, a Roménia de Ceausescu, o Zaire de Mobutu e o Iraque de Sadam Hussein. É curioso notar também que todos eles foram sempre apoiados pelas superpotências, porque o sultão não é nem se comporta como patriota. Defende e promove os interesses estrangeiros em detrimento dos interesses nacionais, desde que tais interesses o apoiem na sua agenda de se perpetuar no poder.

No autoritarismo sultânico, os poderes do líder expandem-se de tal maneira, que ele cria e mantém uma máquina administrativa, económica, policial, judicial e militar, que actua como sua propriedade pessoal.

Esta máquina, no caso de Angola, transformou o Estado numa entidade violadora dos direitos humanos, que atenta contra a soberania do povo angolano e contra a unidade nacional. Transformou-o também num veículo corruptor da sociedade.

Angola tem hoje um regime neocolonial onde é mais fácil um estrangeiro obter Bilhete de Identidade angolano do que o cidadão de Nambuangongo, do Chongorói ou do Seles.

Por outro lado, notamos que os governos provinciais abandonaram a sua função de servidores e administradores públicos. Foram transformados em secretariados do partido que promovem o sultanismo e já actuam abertamente como tal.

A crise de governação atingiu níveis insustentáveis. O governo não consegue travar a crescente onda de sinistralidade nas estradas nem da criminalidade. Aliás, como o poderá fazer se os factos começam a indicar que algumas sedes do governo são também sedes do crime? Se os administradores dos bancos são também administradores do crime?

Os níveis reais de mortalidade nos Bairros crescem todos os meses. Os níveis de pobreza crescem todos os dias. A qualidade dos serviços públicos de saúde e educação baixa todos os dias. Os jovens que se licenciam aqui no país encontram sérias dificuldades para competir no mercado. As empresas preferem as pessoas formadas no exterior. Até os Ministérios não dão prioridade aos formados no país, em parte porque não são competitivos!

Que país estamos a construir, afinal de contas? É assim que Angola está a subir? Está a subir para onde, companheiros? Assim como os Europeus dividiram entre si os recursos da África, em Berlim, e criaram as actuais fronteiras das suas possessões coloniais, hoje também as forças que controlam o poder político e económico em Angola dividem entre si os recursos de Angola e criam fronteiras de intervenção económica para as diversas famílias da oligarquia.

O caso ‘Banco Espírito Santo de Angola’ constitui apenas um exemplo de como pessoas nas vestes de agentes do Estado utilizam os fundos públicos e a autoridade pública para actos ilícitos. O caso do BESA também levanta sérias questões sobre a integridade do sistema bancário angolano. Como perguntam os mais ingénuos: ‘porque é que um país de desempregados, sub-empregados e de trabalhadores mal pagos que não fazem poupanças tem tantos bancos? O que atrai os Bancos para Angola?

São as oportunidades de ganhar dinheiro fácil através da delapidação do Tesouro Nacional? Será que os que governam o país precisam dos bancos internacionais, que são respeitados internacionalmente, para virem cá e receber o produto do roubo na forma de depósitos? Os Bancos recebem estes dinheiros, em dólares ou em Kwanzas, e não perguntam de onde vem. Depois, pegam numa parte desse dinheiro, e distribuem a certas pessoas do regime.

E outra parte entra em aviões para destinos desconhecidos. À distribuição que fazem chamam empréstimos. Só que depois nunca mais pagam tais empréstimos.

Ora, quando os auditores do BESA e também os accionistas portugueses do BESA detectaram empréstimos mal parados no valor de CINCO MIL MILHÕES DÓLARES, e perguntaram ao Banco quem eram os devedores, os Administradores disseram que não sabiam a quem emprestaram o dinheiro. Sabiam que uma parte do dinheiro financiou prédios, empresas e condomínios, que foram hipotecados como garantia real. Mas essas garantias não são suficientes.

Mas trata-se de dívidas privadas para projectos privados, contraídas por particulares a um Banco privado. Estes privados ficaram com o dinheiro, ficaram com as casas, ficaram com as empresas e não querem pagar.

Então, o representante de um dos donos do Banco, o português Ricardo Salgado, veio a Angola. E foi ter com quem? Sendo um banco privado com devedores privados devia ir ter com os clientes ou com os administradores. Não fez isso. Foi à Cidade Alta.
O Presidente José Eduardo dos Santos mandou emitir uma garantia para o Estado angolano pagar essas dívidas. E mais:
Estava autorizado por lei a emitir uma garantia de Kz: 245.000.000.000,00 (Duzentos e quarenta e cinco Biliões de Kwanzas). Mandou emitir uma garantia de $5.700.000.000.00 (cinco mil milhões e setecentos milhões de dólares norte americanos) a favor do Banco Espírito Santo de Angola (BESA).

Fez isso através de um “Despacho Interno’ nº 7, datado de 31 de Dezembro de 2013, e que, estranhamente, não foi publicado em Diário da República.

Porque é que o Senhor Presidente da República mandou emitir uma garantia de 5 biliões quando a Assembleia Nacional só autorizou a emissão de garantias até 2 mil milhões de dólares? E porquê que não tornou público o Despacho?

As investigações já feitas indicam que os principais donos do BESA são o Ministro de Estado e Chefe da casa de Segurança do Presidente da República, e o antigo Chefe das suas Comunicações. São os mesmos donos da Pumangol, do Kero, da Transfuel e outros empreendimentos. Indicam também que existem fortes indícios de que a garantia fornecida pelo Executivo em nome do Estado angolano poderá ser utilizada para encobrir outras operações entre o Executivo angolano e interesses privados ilícitos, designadamente operações de enriquecimento ilícito e de branqueamento de capitais envolvendo empresas estrangeiras tituladas por angolanos que foram ou são detentores de cargos públicos. Por isso tudo, orientamos o Grupo Parlamentar para solicitar a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para junto da Administração do BESA apurar, não só onde foi parar tanto dinheiro, mas também em que medida a utilização feita da autorização concedida ao Titular do Poder Executivo para emitir garantias do Estado no quadro das operações de crédito previstas no OGE de 2013 ou de 2014 transforma os Deputados em cúmplices dos crimes de enriquecimento ilícito, branqueamento de capitais ou de improbidade pública que venham a ser imputados a qualquer dos intervenientes.

De facto, o ex- Presidente do BESA, Álvaro Sobrinho, está a contas com a Justiça portuguesa em vários processos de crimes financeiros. O ex- presidente do BES, o português Ricardo Salgado foi detido em Lisboa há duas semanas em conexão com crimes financeiros, alguns deles cometidos a partir do Banco BESA.

Quem fala do BESA, fala também dos buracos que existirão nos outros bancos, e das lavagens de dinheiro aí praticadas. Todo o sistema bancário está minado. Como dizia um perito, cito, ‘a integridade do sistema bancário de um país e a confiança na sua moeda dependem da integridade do governo que os sustenta”. E este governo está a demonstrar-nos que não é serio.

Companheiros:
Angola virou uma ‘menina bonita’ para muitos países. Os estrangeiros já se aperceberam que o país está a saque e quem o saqueia são os próprios governantes. Então, fazem fila para que cada um possa entrar aqui e debicar também o seu bocado.
Aprenderam também que tudo o que precisam fazer é dizer que Sua Excelência é um grande estadista. Que a sua governação é a melhor do mundo. E que tudo farão para apoiar a candidatura de Angola ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. É tudo quanto precisam dizer para receberem chorudos contratos sem concurso e sobrefacturar milhões, enviar tais dinheiros para os paraísos fiscais e não pagarem impostos nem em Angola, nem nos seus países.

Assim, uma estrada que devia custar $650.000.00 passa a custar $2.000.000.00. Para uma fábrica que custa $300.000.00, Angola paga $3.000.000.00, um estudo que deveria custar $250.000.00, Angola paga $1.500.000.00, etc.

Todos são comerciantes ou actuam como comerciantes. Mesmo os que vêm nas vestes de políticos, no fundo, todos vêm buscar a sua parte. Os políticos levam na forma de comissões ou ajudas para as suas campanhas eleitorais. O esquema é o mesmo: os valores são transferidos para paraísos fiscais por via de empresas por ele controladas e, assim, fogem ao fisco e às autoridades reguladoras dos seus países.

Além disso, Sua Excelência garante oferecer empregos a muitos desempregados desses países, pagando-lhes a preço de ouro, para executarem tarefas para as quais existem angolanos qualificados no mercado interno. Inclusive, tarefas de soberania, em lugares sensíveis como o Ministério do Interior, os Serviços de Segurança Interna e Externa e o Ministério da Defesa.

Sim, os especialistas angolanos de segurança estão a ser substituídos por estrangeiros. Os técnicos e oficiais angolanos estão a ser colocados na prateleira para dar lugar a estrangeiros. São os estrangeiros que fazem as análises; são os estrangeiros que elaboram os relatórios. São os estrangeiros que preparam e executam as estratégias. São eles que mandam no país.
O crescimento económico é produzido e garantido por estrangeiros. Os sistemas de produção, de distribuição e de gestão da logística são garantidos por estrangeiros. O sistema de comunicações é garantido por estrangeiros. O sistema de segurança é garantido por estrangeiros. Todo o PIB é garantido por estrangeiros.

Alguém dirá que somos contra os estrangeiros. Falso. Não temos nada contra os estrangeiros. Porém para nós, tal qual os estrangeiros fazem nos seus países, primeiro é o nacional. Depois é que são os estrangeiros. Por outras palavras, primeiro, o angolano; segundo, o angolano; terceiro, o angolano. E o angolano, sempre.

Onde está a nossa independência, caros companheiros e compatriotas? Onde está a nossa soberania?
Por causa disso, o Presidente José Eduardo dos Santos enviou ao Parlamento uma proposta para redefinir quem é o angolano e alterar a Lei da nacionalidade. Quer dar nacionalidade angolana a todos os estrangeiros que ele considerar que prestam ou tenham prestado relevantes serviços à Pátria.

Quer dar nacionalidade a todos os estrangeiros que perseguiram angolanos, torturaram angolanos ou de outro modo ajudaram a dividir os angolanos no quadro do fraticídio e da guerra fria, desde 1975. Quer dar nacionalidade a todos os estrangeiros que, no seu entender, e só no seu entender, estão em Angola há um certo tempo, falem fluentemente o português e merecem ser angolanos. Os que falam fluentemente o kimbundo ou o Kikongo, não. Só os que falam bem o português.

O Presidente José Eduardo dos Santos, quer consolidar a alteração subtil que vem fazendo da identidade cultural e social de Angola. Quer mesmo alterar a demografia, assim como os outros fizeram com a América Latina!

Não admira, portanto, que todos esses países se sintam em casa quando vêm a Angola. Afinal, têm na Cidade Alta um padrinho que lhes concede até nacionalidade quando entende.

Prezados companheiros da Comissão Política:

Quando um governante utiliza a autoridade pública para atacar a República ao invés de protegê-la; ou quando subverte a democracia utilizando a Constituição, os órgãos do Estado, ou as políticas públicas, a utilização destes veículos não alteram a natureza subversiva e anti-patriótica dos atentados graves ao Estado de Direito e à soberania popular.

O espectáculo que a Televisão Pública de Angola exibe todos os dias, são imagens ilusórias da governação teatral do MPLA. A TPA foi transformada na principal máquina de propaganda do sultanismo. Várias empresas de produção televisiva detidas pela oligarquia foram constituídas e equipadas com fundos públicos para preparar pacotes de programas para impressionar, seduzir e enganar. Do que produzem, nada é sustentável, nada é duradouro, nada é sério. É um simples espectáculo de luzes, um ‘show business’, como diriam os ingleses. Aqui também os principais artistas deste espectáculo de ilusionismo são estrangeiros a soldo da oligarquia sultânica.

A arte de enganar por via de actos de marketing não fica por aí. Recentemente, o regime introduziu os Fóruns para esvaziar o forte conteúdo político-constitucional do princípio da autonomia local.

A concretização do princípio constitucional da autonomia local faz-se por via das autarquias locais no quadro do poder local.
Nas democracias participativas há transferência efectiva do poder aos munícipes, não meros Fóruns de auscultação do sultão.
No sultanismo, claro, o sultão quer mandar em tudo e em todos. E quer fazer teatro fingindo que ouve a mulher rural, ouve os jovens, ouve os munícipes. Mas fica com o poder todo. Fica com o dinheiro e com o poder de decisão!

Os angolanos já rejeitaram esta centralização! Rejeitámo-la em 1975, rejeitámo-la nas décadas de 80 e 90. E rejeitámo-lo novamente agora.

A Constituição da República de Angola consagra as AUTARQUIAS LOCAIS, que são órgãos autónomos do poder dos cidadãos, distintos do Estado. São as autarquias que concorrem para a resolução directa e autónoma dos problemas das populações. As autarquias nada têm a ver com o Governo central. Onde há autarquias não há Administração municipal nem Fóruns organizados pelo poder Executivo central.

Os problemas da mulher rural são melhor equacionados no quadro do Poder local, pelas próprias mulheres rurais, através de órgãos autónomos delas representativos, eleitos nas eleições autárquicas.

Os problemas dos municípios e das cidades, nos termos da Constituição, devem ser resolvidos de forma autónoma pelos munícipes, através de três órgãos próprios, que são: uma Assembleia dotada de poderes deliberativos, um órgão executivo colegial e um Presidente da Autarquia.

A Assembleia é composta por representantes locais, eleitos por sufrágio universal, igual, livre, directo, secreto e periódico dos cidadãos eleitores na área da respectiva autarquia, segundo o sistema de representação proporcional.
O órgão executivo colegial é constituído pelo seu Presidente e por Secretários por si nomeados, todos responsáveis perante a Assembleia da Autarquia.

O Presidente do órgão executivo da autarquia é o cabeça da lista mais votada para a Assembleia. As candidaturas para as eleições dos órgãos das autarquias podem ser apresentadas por partidos políticos, isoladamente ou em coligação, ou por grupos de cidadãos eleitores, nos termos da lei.

Os Fóruns não servem o propósito da administração local autónoma, porque não são pessoas colectivas territoriais correspondentes ao conjunto de residentes em certas circunscrições do território nacional e que asseguram a prossecução de interesses específicos resultantes da vizinhança, mediante órgãos próprios representativos das respectivas populações, como estabelece a Constituição.

Os Fóruns não têm poder de decisão, não têm órgãos eleitos, não têm recursos próprios. Os Fóruns não são órgãos deliberativos, autónomos e separados do poder central do Estado. São manobras de diversão do sultanismo que a UNITA rejeita categoricamente. É tempo de acção. É tempo de descentralizar e de devolver o poder aos munícipes para resolverem eles mesmos os problemas prementes do comércio urbano e rural, da educação, da saúde, da criminalidade urbana e rural, e do desenvolvimento urbano e rural.

Companheiros:
Em síntese, a gravidade da situação do país pode ser resumida em seis pontos:

1) Houve uma mudança subtil e inconstitucional do regime político acordado em Bicesse, o que implica dizer que o Presidente José Eduardo dos Santos revogou os Acordos de Paz firmados em 1991 e substituiu o regime democrático e a reconciliação nacional pelo regime autoritário sultânico que se baseia no exercício do poder do estado de forma arbitrária e sem limites por um só homem.

2) O regime em Angola também pode ser caracterizado de neocolonial porque o país é dirigido por estrangeiros, no interesse de estrangeiros e está a saque de quem o quiser sacar, sendo tal saque promovido e protegido por quem governa o país.

3) A nacionalidade angolana, a soberania nacional e a identidade política e cultural de Angola estão ameaçados.

4) A supremacia da Constituição do MPLA foi substituída pela vontade de um homem. A democracia tornou-se uma miragem e a reconciliação nacional uma quimera.

5) Os peritos e oficiais angolanos nas Forças de Defesa e Segurança estão a ser todos afastados dos postos de comando e substituídos por estrangeiros ou colocados na prateleira. Não importa a sua proveniência, o que importa é que por serem angolanos não servem.

6) Um grupo de predadores que se confunde com o Estado utiliza o sistema financeiro nacional para executar operações ilícitas de branqueamento de capitais, enriquecimento ilícito e corrupção, dentro e fora de Angola e a justiça angolana mostra-se incapaz de investigar e julgar tais crimes.

Perante este quadro, o que devemos fazer?

Mudanças profundas exigem ajustes profundos, medidas correctivas profundas que a Comissão Política não tem legitimidade para as tomar. No nosso calendário político partidário, o próximo ano é ano do Congresso. Precisamos de começar a aprofundar a análise desta situação para que seja levada ao Congresso a fim de que este possa responder com propriedade e autoridade a estas ameaças e desafios.

A nossa agenda para esta reunião inclui um ponto que se destina a cumprir com o requisito estatutário, que nos obriga ouvir o parecer da Comissão Política antes de convocar o Congresso. Gostaria, portanto, nos termos dos Estatutos, ouvir o parecer da nossa Comissão Política sobre a necessidade de realizarmos o nosso XII Congresso Ordinário no próximo ano de 2015.

Caros companheiros,

Ao contrário da opinião largamente difundida, os regimes autoritários sultânicos são construções sempre frágeis e precárias, apesar de poderosas e opressivas. Segundo Linz, esses regimes são débeis, frágeis, instáveis e precários e, talvez precisamente por terem consciência disso, recorrem à repressão e à opressão.

Temos de nos posicionar para o futuro AGORA, porque a História.

Por outro lado, creio ter chegado o momento para se transformar a UNITA num instrumento ao serviço de toda a sociedade. A UNITA precisa de estabelecer novos cenários de intercomunicação com o eleitorado de natureza estável e permanente, para facilitar o acesso do eleitor ao nosso Partido, seja para questionar, seja para filiar-se, seja para sugerir medidas de política específicas para salvaguarda dos seus interesses pessoais, de grupo ou de classe.

Há que transformar as nossas sedes em locais de participação social, onde o cidadão se informa e apresenta propostas para resolução dos problemas sociais.

Há que maximizar o uso de todos os recursos que as redes sociais colocam à nossa disposição e colocá-los ao serviço da concepção participativa da democracia que a UNITA preconiza. Há que colocar o nosso Partido ao lado do cidadão, em cada esquina, em cada aldeia, em cada Bairro, em cada área de intervenção social, para melhor compreender a realidade individual e social em que se desenvolve a cidadania e aumentar o grau de interacção com ela, visando a mais ampla e efectiva participação dos cidadãos na vida pública.

Numa palavra, há que preparar os cidadãos para assumirem, eles mesmos, o poder político, seja o poder autárquico, seja o poder do Estado.

A posição da UNITA como interlocutor incontornável na busca de soluções para o país, está consolidada. A condição da UNITA de força estruturada e experimentada, capaz de manter a estabilidade do país, é indiscutível. É com este espírito e alto sentido de responsabilidade perante a história que devemos encarar as nossas reuniões, a partir de hoje. Já não estamos aqui apenas para tratar assuntos internos da UNITA. A UNITA hoje é muito mais do que a UNITA. Angola espera pela UNITA. Todos os assuntos da UNITA afectam o país, porque a UNITA é tudo o que os milhões de sofredores têm para realizar o sonho da sua cidadania!

Declaro aberta a IV Reunião ordinária da Comissão Política.
Muito obrigado.
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grupo parlamentar - actividade
Declaração política da 3ª Reunião Plenária Ordinária da 4ª Legislatura
DECLARAÇÃO POLÍTICA
3ª REUNIÃO PLENÁRIA ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA
DA III LEGISLATURA DA ASSEMBLEIA NACIONAL
27 - JANEIRO - 2016


Sua Excia Presidente da Assembleia Nacional
Dignos Membros da Mesa da Assembleia
Auxiliares do Poder Executivo, Caros Deputados
Senhores Jornalistas
Minhas Senhoras e meus Senhores

Tratando-se esta da primeira Plenária do ano de 2016, começo por endereçar a todos os nossos compatriotas angolanos uma palavra de esperança, apesar da amarga “prenda” com que fomos brindados no primeiro dia do Ano, o brusco e excessivo aumento do preço dos combustíveis e do absolutamente errado, excessivo e perverso aumento preço do gás, com consequências também ambientais, conjugando-se para o incremento do consumo de carvão vegetal com o abate indiscriminado das árvores e a destruição das nossas florestas.
Dirijo às famílias angolanas uma mensagem de encorajamento, de confiança e de fé no futuro, porque temos soluções para um futuro melhor, assente num novo paradigma, onde o trabalho árduo, os sacrifícios e o apertar do cinto, sejam exemplos dados primeiro por nós, para que a sociedade nos acompanhe com confiança. Onde as lideranças se tornem o exemplo e a transparência uma causa de todos!
Estarei a falar de Angola? Sim estou a falar de Angola!

Esta crise que não é apenas por causa do petróleo, que é grave porque está a castigar duramente as populações mais desprotegidas, que atingiu também duramente todas as famílias da classe média angolana, que atingiu as empresas, também porque o Estado não paga aos empresários angolanos os serviços por estes prestados, provocando incumprimentos, despedimentos e falências; esta crise é grave e tem origem nas más práticas, consubstanciadas numa rigorosa governação autocrática e vertical, totalmente adversa à fiscalização, portanto uma governação que não presta contas ao cidadão, onde o servidor público esqueceu o essencial da sua missão: estar ao serviço das populações, o que envolve uma necessária sensibilidade de servir e não de se servir! Na maioria das vezes na contratação pública, sobrepõem-se de forma promíscua as figuras do Representante do Estado (o contratante) e a do contratado. A Lei da contratação pública, que está hoje a ser discutida e votada na generalidade nesta Assembleia, é um elemento central no combate à crise.

As Organizações internacionais de combate à corrupção indicam que mundialmente 30% dos desvios dos fundos do Estado, base do enriquecimento ilícito, resulta da contratação pública. No nosso país, esta percentagem é bem mais elevada, colocando as obras entre as mais caras do mundo, onde o Km de asfalto de má qualidade chega a custar cerca de 1 milhão de USD, onde se aprovam para a mesma empreitada múltiplos orçamentos, onde o Estado investe milhões a reabilitar, para depois privatizar a baixo custo, onde os fundos aplicados fora do país, de biliões de USD nunca tiveram retorno, onde a Sonangol empresa pública financiou interesses privados e depois é blindada à fiscalização, para se perderem os fluxos destes investimentos; onde apesar da dita crise, se distribuem contratos bilionários “ sem qualquer concurso público”, bastando para tal, estar próximo do centro de decisão! Estas sim, são as praticas que devem mudar. São estas práticas que fizeram desaparecer as centenas de biliões de dólares dos diversos fundos de reserva, resultantes dos cerca de 10 anos de superavit. Desapareceram centenas de biliões e continuarão a desaparecer os poucos que agora forem gerados, se persistirmos teimosamente nas mesmas práticas. É preciso mudar.

Minhas Senhoras e meus Senhores,
Temos também hoje em discussão e votação na generalidade a Lei do Registo Predial, que após ter sido retirada várias vezes, retorna a este hemiciclo. Regressa a esta Assembleia numa altura em que o executivo num esforço desesperado de compensar os erros da má gestão, incorre numa prática de incremento dos preços dos combustíveis e na desdoutrinada corrida a novos impostos. O cidadão paga taxas e o Estado não retribui com serviços que correspondam a uma melhoria da condição de vida das populações. Basta olharmos para as nossas estradas, para não ter de dar outros exemplos.

Ouvimos representantes do executivo apelarem ao pagamento do imposto Predial até 31 Janeiro, mesmo aqueles cidadãos detentores de terrenos não regularizados!... É difícil de se entender! Surgem várias reclamações e pedidos de intervenção de cidadãos desesperados, que procuram as administrações para regularizarem terrenos adquiridos há muitos anos e encontram todo o tipo de dificuldades, co diferenciados níveis de gasosas cobradas pela porta do cavalo, para poderem satisfazer às suas necessidades! O Estado deve tratar definitivamente desse “cancro” especulativo que encarece e nega o direito à terra a milhares e ilhares de angolanos; que causa imensos conflitos, onde o mais desprotegido sai invariavelmente prejudicado e muitas vezes vitima de despejo, em benefício de determinada elite governativa.

Há elites deste país que acumulam dezenas de casas, milhares e milhares de hectares, a quem nada se cobra e como se isso não bastasse especulam sobre o valor da terra a custos inalcançáveis para a maioria dos cidadãos. As instituições de Justiça têm que começar a prestar maior atenção a estes casos crónicos, que estão a frente dos olhos de todos, mas que os nosso órgãos reguladores, esticam o pescoço para o lado, fingindo que nada vêm! Estas atitudes são bem mais causadoras de pobreza e de crise económica que a baixa do barril de petróleo!

Minhas Senhoras e meus Senhores,
Nós podemos sim vencer esta crise, se tivermos a humildade de dizer a verdade aos angolanos: “estamos perante uma situação muito difícil; não temos recursos suficientes para resolvê-la sozinhos; precisamos do concurso de todos”!

Temos o salário com uma perda de mais de 50% do seu valor; significa que as famílias estão a pagar bens de primeira necessidade a preços que duplicaram, ou triplicaram. Se tivermos em conta os índices do BNA, o preço do dólar está em cerca de 190 Kzs! Mas se formos tentar comprar a qualquer banco comercial ou a qualquer casa de câmbio, não há divisas disponíveis! Mas se recorremos ao paralelo, mesmo em Luanda o dólar já está próximo dos 400 Kzs! Um absurdo. Mas aqui há disponibilidade sem limites... Porquê? Os fluxos que alimentam a especulação e o paralelo saem directamente das instituições.

Todos sabem e ninguém faz nada! Há quem ganhe e muito com isso! Um carro que em Novembro custava 2800000. Em Janeiro custa 4milhões, mas os importadores estão a gritar! Há jornais que deixam de circular, por falta de matéria-prima! Até esta casa está na iminência de não cumprir cabalmente com o essencial da sua missão!

Temos hoje, também, e pela primeira vez, os Relatórios da Procuradoria-Geral da República de 2011, 2012 e 2013, em Discussão e votação. A Procuradoria que é uma importantíssima instituição de garantia e defesa dos direitos das pessoas singulares ou colectivas, da defesa da legalidade no exercício da função jurisdicional, entre outros, para além da entendível necessidade de mais quadros, ela própria tem muito que melhorar. Passaram-lhe ao lado inúmeros casos de grande gravidade, sem que tivesse tomado qualquer posição, demonstrando algumas dificuldades de descolar de vínculos político-partidários e assumir uma mais do que necessária independência do executivo!

Por exemplo: no relatório de 2013, na página 20, Processos-crime Mediáticos Instruídos pela Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), onde na alínea b. Pto 11, encontramos:

. Isaías Ngola Samakuva: Presidente do Partido UNITA e Membro do Conselho da República a responder pelo Processo-crime nº 73/2013, pelos crimes de Reunião e Manifestação Ilegal e Injúria contra a Autoridade Pública”, fim de citação!

Aqui vêm os nomes de alguns outros cidadãos, que são expostos no seu bom nome, porque são citados processos-crime, acusações várias, mas houve pouco cuidado em dar indicações conclusivas do destino destes processos, misturando casos arquivados, com processos onde os indiciados nem sequer foram notificados ou ouvidos, até ao presente dia. Gravíssimo! Por exemplo o Presidente da UNITA, nem tem conhecimento deste processo. Nunca foi notificado de tal facto. Por razões obscuras, qui ça com o objectivo de ressuscitar tal processo fantasma na proximidade das eleições gerais!

Estas não são boas práticas e não dignificam as nossas instituições! Estamos mesmo convencidos que os restantes nomes foram arrolados a esta lista, para justificar a pretensa tentativa de expor o líder da oposição!

São inúmeros os atentados à vida que não merecerem qualquer acção da Procuradoria, mesmo quando directamente instada a tomar contacto com estes casos gritantes. Entretanto, o sentimento de impunidade de alguns torna-se uma ameaça à segurança das comunidades. Muita da criminalidade que grassa hoje, resulta do modelo de sociedade que criamos.

Termino fazendo uma referência a um grande desafio que marca a agenda política do nosso país: a realização das eleições gerais (que todos esperamos sejam devidamente preparadas, com a transparência e o rigor necessários e que tenham lugar no próximo ano; e que os angolanos tenham a felicidade de ver a realização das eleições autárquicas o mais cedo possível, porque estas representam um excepcional ganho de cidadania, um reforço de direitos e carregam uma infinidade de benefícios para todos, tais como melhores serviços, mais responsabilidade, mais liberdade de escolha, proporcionando condições favoráveis a mais desenvolvimento.

Reitero aqui a disponibilidade da UNITA para o dialogo, com visto a buscarmos no consenso as soluções estruturais para edificarmos uma Angola inclusiva.
Muito obrigado.

Adalberto Costa Júnior
Presidente do Grupo Parlamentar da UNITA

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L.i.m.a - actividades
Comissão Eleitoral do Congresso da LIMA aprova três candidaturas a presidente da organização
Sob o Lema “ Angolanas Unidas pela Paz Social, Democracia e desenvolvimento Sustentável,” a LIMA realiza de 7 à 9 de Dezembro do ano em curso, em Luanda, o seu III Congresso Ordinário.

As três candidatas a Presidência da Liga da Mulher Angolana, formalizaram as suas candidaturas em conferência de imprensa promovida pela Comissão Eleitoral e a Porta-voz do Congresso, no final de Semana.

Durante a cerimonia, foi feito o sorteio que ditou o posicionamento das três candidatas no boletim de voto.

Concorrem ao lugar cimeiro da organização feminina da UNITA, a Deputada Helena Bonguela Abel, nº 1 no boletim de voto, a Drª Clarice Mukinda, nº2 e a Srª Ana Chitula, número 3.

O acto ficou ainda marcado pela realização da Conferência pelo círculo nacional da LIMA, que elegeu os membros ao Comité Nacional e para a Comissão política.
De salientar que durante as conferências provinciais, a LIMA debateu as teses que vão orientar a actividade da organização para os próximos quatro (4) anos.
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016